África confronta-se com fragmentação monetária: 33 moedas para um continente ainda dependente do exterior

Durante um fórum económico panafricano, o académico queniano Plo Lumumba alertou para a profunda desintegração financeira do continente africano, sublinhando que existem 33 moedas oficiais, mas nenhuma com aceitação continental. Para ilustrar essa realidade, relatou que uma nota de xelim queniano não é reconhecida em países vizinhos, enquanto o dólar americano é imediatamente aceite — um símbolo claro da dependência africana de divisas estrangeiras.

Segundo Lumumba, mais de 80% das transações intra-africanas continuam a ser realizadas em dólares ou euros, um legado direto do período colonial que impede os Estados africanos de exercerem plena soberania monetária. Esta situação fragiliza os bancos centrais africanos e limita a capacidade de criar mercados internos fortes e interligados.

O académico defendeu que esta dependência perpetua uma economia vulnerável e impede o avanço da integração regional. Para superar este bloqueio histórico, Lumumba apelou a uma cooperação monetária mais profunda entre os países africanos e à criação de uma moeda única continental.

A adoção de uma moeda comum, argumenta, seria decisiva para reduzir custos de transação, facilitar o comércio e finalmente desbloquear o potencial económico de África, ajudando a construir um verdadeiro mercado continental integrado.

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