Crise Guiné-Bissau: Frente Popular apela à desobediência civil contra golpe militar sissoquista

O movimento cívico Frente Popular anunciou este domingo, 30 de novembro, uma greve geral e campanha de desobediência civil entre 1 e 5 de dezembro, justificando a iniciativa com a necessidade de “reposição da verdade eleitoral, da Ordem Constitucional, libertação dos Presos Políticos e o fim da Ditadura”, que qualifica como “sissoquista”.

A organização abre o comunicado recordando Amílcar Cabral, “a hora é de ação, não de palavras”, para sublinhar a urgência do momento político. Num texto divulgado na sua página de Facebook, o movimento afirma: “Chegou o momento de tomarmos uma posição firme em defesa da verdade eleitoral e da libertação dos presos políticos. O cenário político atual, marcado por ataque profundo à vontade popular, à verdade eleitoral, à Constituição da República, exige uma resposta imediata e contundente. É hora de mobilizarmos nossa força, nossa união e nossa voz em uma Greve Geral e Desobediência Civil.”

A Frente Popular classifica a paralisação como “um grito de unidade em defesa da verdade eleitoral”, defendendo que “a Greve Geral e a Desobediência Civil são ações fundamentais para mostrar a força do povo.”

Em tom particularmente crítico, o movimento denuncia que “não podemos mais aceitar o desrespeito ao povo guineense. Vemos a nossa vontade sendo afastada, os líderes políticos presos arbitrariamente e, acima de tudo, a Constituição da República sendo relegada para o segundo plano. Tudo isto para satisfazer os interesses do Umaro Sissoco Embalo. O Alto Comando Militar traiu o povo guineense, em detrimento dos interesses inconfessos do Umaro Sissoco Embalo.”

O anúncio surge poucos dias depois de o Alto Comando Militar ter determinado a proibição de “greves e manifestações”, mantendo várias limitações à mobilização social após o golpe de Estado de 26 de novembro.

A Frente Popular reafirma, ainda assim, o apelo à mobilização nacional: “A Greve Geral e a Desobediência Civil são atos de coragem, de resistência e de solidariedade.”

E conclui, “É a nossa forma de dizer que não vamos aceitar esse golpe sissoquista. Somos milhares e nossa força está em nossa unidade. Não podemos mais esperar. Precisamos que todos se juntem a nós nesse movimento, para que possamos repor a verdade eleitoral.”

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