Novo medicamento poderá travar o Alzheimer antes do aparecimento dos primeiros sintomas

Investigadores da Universidade Northwestern identificaram uma proteína altamente tóxica até agora desconhecida que poderá desencadear a doença de Alzheimer muitos anos antes do surgimento da perda de memória. O estudo revela que um medicamento experimental, designado NU-9, conseguiu bloquear esses danos iniciais em modelos animais, reduzindo significativamente a inflamação cerebral associada à progressão da doença.

A investigação demonstrou que o NU-9 actua sobre um subtipo específico de oligómeros beta-amiloides, considerados particularmente nocivos, que se acumulam precocemente nos neurónios e activam astrócitos — células do sistema imunitário do cérebro — provocando uma resposta inflamatória generalizada. Ao administrar o medicamento antes do aparecimento dos sintomas, os cientistas conseguiram interromper esta cascata patológica numa fase pré-sintomática.

Segundo os autores, esta abordagem pode explicar por que razão muitos ensaios clínicos anteriores falharam, ao iniciarem o tratamento demasiado tarde, quando os danos cerebrais já estão avançados. Os resultados sugerem que intervir precocemente poderá prevenir ou atrasar de forma significativa o declínio cognitivo associado ao Alzheimer.

O estudo, publicado na revista Alzheimer’s & Dementia, abre caminho a uma nova estratégia de prevenção da doença, combinando diagnósticos precoces com terapias dirigidas às fases iniciais. Os investigadores esperam agora avançar para testes prolongados e, futuramente, ensaios clínicos em humanos, com o objectivo de transformar a forma como o Alzheimer é tratado e prevenido.

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