Cisjordânia: 72 mil famílias necessitam urgentemente de assistência agrícola de emergência

Mais de 72 000 famílias de agricultores e pastores na Cisjordânia – quase dois terços de todas as famílias agrícolas – necessitam urgentemente de assistência agrícola de emergência, segundo um novo levantamento publicado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). O estudo revela que cerca de 90% das famílias agrícolas da região sofreram perdas de rendimento devido à queda acentuada na produção e venda de culturas e animais.

O inquérito, realizado entre julho e agosto de 2025, mostra que a agricultura continua a ser um pilar vital para a segurança alimentar e a subsistência. Das cerca de 700 000 famílias residentes na Cisjordânia, estima-se que 115 000 dependem diretamente da agricultura para o seu sustento. Segundo Rein Paulsen, Diretor do Escritório de Emergências e Resiliência da FAO, “as famílias agrícolas precisam urgentemente de apoio, tanto em dinheiro como em géneros, para mitigar os impactos da violência, da crise económica e da perda quase generalizada de rendimento”.

O levantamento sublinha ainda os desafios enfrentados pelas famílias rurais: quase 90% experienciaram pelo menos um choque grave, como conflitos e violência, aumento do custo de vida e perda de emprego. Muitos dependiam de trabalhos fora da agricultura, incluindo em Israel ou nas colónias, dos quais 91% perderam o emprego após o início do conflito. Além disso, existem restrições de acesso à água, limitações de movimento e dificuldades em obter insumos agrícolas e combustível a preços acessíveis.

Apesar das dificuldades, a agricultura continua a ser uma via eficaz para assegurar comida e rendimento. Paulsen reforça que apoios imediatos em sementes, fertilizantes, culturas resistentes à seca, kits veterinários, tanques de água, abrigos para animais e equipamentos de processamento de laticínios são essenciais para sustentar meios de subsistência e proteger os ativos produtivos. A FAO apela ainda ao acesso humanitário irrestrito e ao financiamento suficiente para evitar que estas famílias caiam ainda mais na crise.

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