Cabo Verde registou um marco histórico no setor da saúde com a realização do primeiro transplante renal no país, efetuado com sucesso no Hospital Universitário Dr. Agostinho Neto, HUAN. O anúncio foi feito pelo presidente do Conselho de Administração, Evandro Monteiro, que confirmou o êxito da intervenção.
“Conseguimos realizar o nosso primeiro transplante renal em Cabo Verde”, declarou Evandro Monteiro, sublinhando que o feito resulta de décadas de trabalho, persistência e parcerias institucionais entre Cabo Verde e Portugal.
De acordo com a equipa médica, a cirurgia decorreu sem complicações e os dois pacientes — dadora e recetor — encontram-se estáveis e a recuperar da anestesia. O nefrologista Hélder Tavares explicou que a dadora, que doou um rim ao irmão, apresenta boa evolução clínica, devendo ter alta antes do recetor, que continuará sob realização por mais alguns dias.
A intervenção, que durou cerca de três horas, envolveu uma equipa multidisciplinar de cerca de 30 profissionais. Segundo o especialista português Norton de Matos, a extração do órgão foi realizada com técnica laparoscópica, um método menos invasivo. “Demorámos cerca de uma hora para retirar o rim e outra para implantá-lo, tendo todo o procedimento decorrido dentro do previsto”, afirmou.
Segundo a equipa médica garantiu que o processo seguiu rigorosos critérios de compatibilidade e segurança, explicando que apenas um par, entre vários analisados, reunia as condições ideais para a realização da cirurgia.
Durante a conferência, os intervenientes destacaram ainda o caráter humano do procedimento. “O transplante renal é um ato de amor”, afirmou uma das médicas da equipa, referindo-se ao gesto altruísta da dadora.
O presidente do HUAN reforçou que este avanço representa “o princípio do futuro” para a medicina cabo-verdiana, salientando o contributo de várias gerações de profissionais de saúde e o apoio institucional do Ministério da Saúde de Cabo Verde, bem como de parceiros internacionais, incluindo o Hospital de Santo António, no Porto.
Evandro Monteiro destacou ainda que o país está preparado para dar continuidade a este tipo de intervenções, embora reconheça a importância da cooperação internacional. Em discurso indireto, afirmou que Cabo Verde deverá, progressivamente, desenvolver maior autonomia técnica, mantendo, no entanto, a partilha de conhecimento com parceiros externos.
Este avanço representa uma nova esperança para os doentes renais crónicos em Cabo Verde, sobretudo para aqueles que dependem de diálise, oferecendo melhores perspectivas de vida e reforçando a capacidade do sistema nacional de saúde.