A escalada de violência no Líbano atingiu níveis sem precedentes, com mais de 300 mortos e cerca de 1.100 feridos num único dia, após uma vaga de ataques aéreos registada a 8 de abril. O agravamento do conflito está a gerar forte preocupação internacional, com várias agências das Nações Unidas a alertarem para uma catástrofe humanitária iminente.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o sistema de saúde na capital, Beirute, encontra-se à beira do colapso. Hospitais de referência já operam acima da capacidade, não conseguindo garantir resposta adequada caso ocorram novos ataques com elevado número de vítimas. A escassez de recursos médicos e a pressão constante sobre as equipas de saúde agravam ainda mais a situação.
Paralelamente, o Programa Alimentar Mundial alerta para o risco crescente de insegurança alimentar. O aumento dos preços dos alimentos e as dificuldades logísticas têm reduzido drasticamente os stocks disponíveis, enquanto a entrega de ajuda humanitária enfrenta obstáculos devido à insegurança no terreno.
A crise afeta de forma particularmente grave as crianças. O UNICEF indica que cerca de 600 menores foram mortos ou feridos desde o início de março. Além disso, mais de um milhão de pessoas foram deslocadas, muitas delas obrigadas a fugir repetidamente à medida que os combates se intensificam.
As operações humanitárias decorrem num contexto cada vez mais difícil, sem garantias de segurança. Comboios de ajuda demoram muito mais tempo a chegar aos destinos, enquanto bombardeamentos atingem áreas densamente povoadas, incluindo zonas que já acolhiam famílias deslocadas, agravando o impacto sobre civis.