Descoberta em Toulouse revela nova função de proteína e pode mudar entendimento da obesidade

Um estudo conduzido por investigadores da Universidade de Toulouse revelou uma função inesperada de uma proteína há muito associada ao metabolismo da gordura, podendo redefinir décadas de investigação sobre obesidade e doenças metabólicas. A proteína, conhecida como lipase hormono-sensível (HSL), não atua apenas na libertação de gordura armazenada, mas também desempenha um papel essencial no interior do núcleo das células adiposas.

Segundo a investigação, publicada na revista Cell Metabolism, a HSL participa na regulação da saúde das células de gordura a partir do núcleo, onde influencia processos ligados à expressão genética, à função mitocondrial e à integridade dos tecidos adiposos. Esta descoberta altera a visão tradicional de que a proteína funcionava exclusivamente como uma enzima de “queima de gordura” ativada em momentos de necessidade energética.

Os cientistas observaram ainda um resultado inesperado em modelos animais e humanos com deficiência da proteína: em vez de desenvolver obesidade, como seria previsível, estes indivíduos apresentaram uma redução significativa do tecido adiposo, associada a uma condição rara conhecida como lipodistrofia. Esta situação pode provocar complicações metabólicas graves, como resistência à insulina e doença hepática, evidenciando que a ausência de gordura saudável também representa risco para a saúde.

A equipa liderada por Dominique Langin, do Instituto de Doenças Cardiovasculares e Metabólicas (I2MC), identificou que a HSL se comporta de forma diferente consoante a sua localização na célula. Enquanto nas gotículas lipídicas contribui para a libertação de energia, no núcleo parece atuar como reguladora da estabilidade e funcionamento do tecido adiposo, influenciando diretamente a forma como as células de gordura se mantêm saudáveis.

Os investigadores defendem que estas descobertas podem ter impacto futuro no tratamento da obesidade e de doenças metabólicas, ao sugerirem que o objetivo terapêutico não deve ser apenas reduzir a gordura corporal, mas preservar a funcionalidade do tecido adiposo. Num contexto de aumento global das taxas de obesidade, o estudo abre novas perspetivas para abordagens mais precisas e biológicas no combate a estas doenças.

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