Um novo relatório da ONU-Habitat defende que a crise mundial da habitação pode ser enfrentada através de políticas de inclusão, melhoria de bairros informais e participação das comunidades locais, em vez de despejos e demolições. O documento foi apresentado durante o 13.º Fórum Urbano Mundial, realizado em Baku .
Segundo o relatório “World Cities Report 2026”, cerca de 3,4 mil milhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso a habitação adequada, enquanto mais de 1,1 mil milhões vivem em bairros precários e assentamentos informais. Apesar do cenário preocupante, a ONU destacou vários exemplos de políticas bem-sucedidas em diferentes países.
Na Tailândia, o programa Baan Mankong tornou-se uma referência internacional ao apoiar financeiramente comunidades para melhorar suas próprias habitações sem necessidade de movimentação dos moradores. Já na Jordânia , espaços urbanos degradados próximos de campos de refugiados estão a ser transformados em áreas verdes e resilientes às mudanças climáticas.
O relatório também destaca experiências o Brasil, onde programas de urbanização de favelas passaram a privilegiar a melhoria de infraestruturas, saneamento e acessos, em vez da remoção das populações. A ONU considera que estas abordagens ajudam a combater a exclusão social e a preservar os laços comunitários existentes.
O relatório alerta ainda para o impacto das alterações climáticas no sector, estimando que milhões de casas poderão ser destruídas até 2040 devido a fenómenos extremos, defendendo por isso investimentos urgentes em habitação resiliente e sustentável.