Costa do Marfim: Investigação científica revela que humanos habitavam florestas tropicais há 150 mil anos

Uma investigação conduzida pelo Instituto Max Planck de Geoantropologia é uma atualização profunda da compreensão da evolução humana, ao demonstrar que grupos de humanos antigos viveram em florestas tropicais densas há cerca de 150 mil anos, na atual Costa do Marfim. A descoberta contraria a ideia de que os primeiros Homo sapiens evitavam esses ambientes, considerados durante muito tempo hostil e difícil de habitar.

Como evidências foram colhidas no sítio arqueológico de Anyama, um pesquisador encontrou ferramentas de pedra associadas a camadas de sedimentos que indicam a presença de floresta tropical úmida no período em questão. Análises de pólen, fitólitos e compostos vegetais confirmaram que a região era densamente florestada, eliminando a possibilidade de um ambiente mais aberto ou de transição.

Segundo os cientistas, esta descoberta antecipada em mais de 100 mil anos a evidência mais antiga anteriormente conhecida de ocupação humana em florestas tropicais, que até agora se situava entre 70 mil anos no Sudeste Asiático e cerca de 18 mil anos em África. Isto sugere que o Homo sapiens era muito mais adaptável a diferentes ecossistemas que se pensavam.

O estudo, publicado na revista Nature, reforça a ideia de que a evolução humana não ocorreu num único tipo de ambiente, mas sim através da adaptação a uma grande diversidade de habitats. Esta flexibilidade ecológica pode ter sido decisiva para a expansão global da espécie e para a sobrevivência das populações humanas em contextos muito diversos.

O investigador admite ainda que estas instruções podem ser apenas o início de uma revisão mais ampla da pré-história africana, uma vez que muitas zonas de floresta tropical permanecem pouco exploradas arqueologicamente. Novas descobertas poderão continuar a revelar a presença humana em ambientes considerados improváveis ​​em períodos ainda mais antigos.

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