Consumir regularmente leguminosas e alimentos à base de soja pode contribuir para reduzir significativamente o risco de desenvolver hipertensão arterial, segundo uma nova análise científica publicada na revista BMJ Nutrition Prevention & Health. O estudo, divulgado pelo Grupo BMJ, concluiu que pessoas com maior ingestão destes alimentos apresentam uma probabilidade mais baixa de desenvolver pressão arterial elevada ao longo do tempo.
A investigação reuniu dados de 12 estudos observacionais de longo prazo realizados nos Estados Unidos, Europa e Ásia, envolvendo amostras entre 1.152 e mais de 88 mil participantes. Após uma análise conjunta dos resultados, o investigador verificou que os indivíduos com maior consumo de leguminosas — como feijão, lentilhas, grão-de-bico e ervilhas — registraram uma redução de 16% no risco de hipertensão. Entre os consumidores de alimentos à base de soja, incluindo tofu, edamame e leite de soja, a redução atingiu 19%.
Os benefícios mais expressivos foram distribuídos em padrões específicos de consumo. Segundo os autores, a ingestão de cerca de 170 gramas diárias de leguminosas esteve associada a uma diminuição do risco próximo dos 30%. Já no caso da soja, o maior efeito foi identificado entre os 60 e os 80 gramas por dia, com reduções estimadas entre 28% e 29%, sem ganhos adicionais relevantes desse nível acima.
Os investigadores apontam várias pesquisas biológicas para estes resultados. Leguminosas e alimentos derivados da soja são fontes importantes de potássio, magnésio e fibras alimentares, nutrientes frequentemente associados à regulação da pressão arterial. Além disso, estudos recentes sugerem que a fermentação das fibras solúveis no intestino produz compostos que podem favorecer o relaxamento dos vasos sanguíneos. No caso da soja, as isoflavonas — compostos naturais de origem vegetal — também poderão escolher um papel protetor.
Apesar dos resultados encorajadores, os autores alertam que existem limitações, incluindo diferenças nos hábitos alimentares entre países, nos métodos de preparação dos alimentos e nas definições utilizadas para hipertensão. Ainda assim, defendem que as instruções reforçam as recomendações actuais para aumentar o consumo de fontes vegetais de proteína e destacam que, sobretudo na Europa, o consumo médio de leguminosas continua bastante abaixo dos níveis recomendados para promover a saúde cardiovascular.