Cuidados paliativos: estudo da Universidade de Coimbra conclui que a população portuguesa quer mais prioridade no SNS

Os cuidados paliativos são muito valorizados pela população portuguesa e merecem um reforço de investimento por parte do Serviço Nacional de Saúde (SNS). As conclusões são de um estudo populacional conduzido pela Universidade de Coimbra (UC), em maio deste ano, que analisou a perceção dos portugueses sobre os cuidados paliativos e o local de morte preferencial.

Os resultados mostram um consenso entre os inquiridos: 67,1% dos participantes na sondagem consideram que os cuidados paliativos devem ter prioridade máxima no SNS, 18,3% atribuem-lhes prioridade alta – ou seja, 85,4% dos portugueses reconhecem a importância elevada destes cuidados.

Segundo a investigadora da Faculdade de Medicina da UC (FMUC) e do Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia (CiBB) e coordenadora do estudo, Bárbara Gomes, “os resultados trazem novos dados para apoiar as políticas públicas e reforçar a resposta do SNS no apoio aos cuidados em fim de vida, sublinhando a necessidade de alinhar os serviços com as preferências e necessidades reais da população”.

Os dados obtidos revelam ainda que 65,4% da população portuguesa prefere morrer em casa, com 58,1% a ter preferência pela própria habitação, 7,3% em casa de familiares ou amigos.  8,1% escolheria uma unidade de cuidados paliativos. 55,1% dos inquiridos revela já ter cuidado ou apoiado um familiar ou amigo próximo nos últimos meses de vida.

“As conclusões do estudo permitem inferir uma vontade populacional de reforço das estruturas de respostas domiciliárias, garantindo que os cuidados paliativos chegam às pessoas onde elas realmente desejam estar e fomentar políticas públicas com foco no doente”, sublinha a coautora do trabalho e investigadora da FMUC, Mayra Delalibera. “A percentagem de pessoas que prefere morrer em casa é superior à obtida num inquérito semelhante realizado em 2010 (65% vs. 51%), o que indica um aumento desta preferência”, explica.

Bárbara Gomes complementa: “Temos hoje sensivelmente o mesmo número de equipas domiciliárias de cuidados paliativos no SNS que tínhamos há dez anos; e teríamos menos não fosse o apoio de cinco novas equipas pela Fundação “la Caixa” desde 2021, no âmbito do Programa Humaniza. Sabemos que estas equipas especializadas duplicam as chances de os doentes morrerem em casa com melhor controlo sintomático”. “É urgente reforçar ou redirecionar verba da saúde para aumentar o número destas equipas e para incentivar financeiramente as carreiras dos profissionais que nelas trabalham, para reter e atrair mais. A população pede e as vidas de milhares de doentes e de famílias em situação de doença terminal (adultos e crianças) não esperam pelo próximo Orçamento de Estado”, sublinha.

Realizado entre 8 a 24 de maio de 2026, o estudo foi financiado pela Cátedra Floriani em Cuidados Paliativos da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia., I.P. por fundos nacionais do Ministério da Educação, Ciência e Inovação.

Universidade de Coimbra

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