Aumenta o risco de crise energética após novos ataques no Estreito de Ormuz

A Organização das Nações Unidas (ONU) manifestou forte preocupação com a nova escalada militar entre os Estados Unidos e o Irão, depois de renovados ataques no Estreito de Ormuz, uma das mais importantes rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo e gás. Os incidentes, que terão atingido três navios mercantes e vários alvos iranianos, provocaram nova instabilidade nos mercados energéticos e levaram a Organização Marítima Internacional (OMI) a apelar à máxima contenção e à desescalada do conflito.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, considerou “alarmante” o regresso das hostilidades entre Washington e Teerão, alertando que uma guerra em grande escala teria consequências catastróficas para a paz e segurança internacionais, bem como para a economia mundial. Por sua vez, o secretário-geral da OMI, Arsenio Dominguez, condenou os ataques contra embarcações civis, sublinhando que milhares de marinheiros continuam expostos a elevados riscos ao atravessarem o estreito.

Segundo a ONU, cerca de 6.000 marinheiros permanecem retidos em centenas de navios devido às perturbações no tráfego marítimo. Embora o número de embarcações em circulação tivesse recuperado parcialmente após o cessar-fogo temporário alcançado em abril, os novos confrontos voltaram a reduzir significativamente o fluxo de navios numa rota por onde passa uma parte substancial do abastecimento energético mundial.

A Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa (UNECE) prevê que a volatilidade dos preços da energia e as interrupções no fornecimento persistam nos próximos meses, sobretudo para os países dependentes das importações provenientes do Golfo. A organização alerta ainda que as ondas de calor associadas ao fenómeno El Niño poderão aumentar a procura de energia e pressionar ainda mais as infraestruturas, reforçando a necessidade de investir em eficiência energética, reservas estratégicas e fontes de energia renováveis para reduzir a vulnerabilidade a futuras crises.

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