Angola e Moçambique continuam a ser os únicos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que ainda não ratificaram o Acordo Ortográfico de 1990. Ambos justificam a decisão com a necessidade de preservar as especificidades linguísticas nacionais, o peso das línguas locais e os custos associados à implementação das novas regras.
Em Angola, o Governo e a Academia Angolana de Letras defendem que o acordo não contempla adequadamente as características do português falado no país nem a influência das línguas nacionais. Já em Moçambique, além das questões linguísticas, as autoridades apontam os custos da adaptação como um dos principais obstáculos à ratificação.
Enquanto Portugal e Brasil aplicam plenamente o acordo, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe também já o adotaram oficialmente. Na Guiné-Bissau, apesar de o texto ter sido ratificado em 2009, a implementação ainda não avançou, devido ao reduzido uso do português face ao crioulo e às diversas línguas nacionais.