ApexBrasil reforça estratégia de diversificação perante novo “tarifaço” dos Estados Unidos contra o Brasil

Imagem: Laudemir Müller, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Foto: divulgação/Redes Sociais ApexBrasil

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) reuniu dia 19 de julho, na sua sede, em Brasília, a direção da instituição para apresentar a estratégia de resposta ao novo pacote tarifário anunciado pelos Estados Unidos, assegurando que continuará a trabalhar em articulação com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Ministério das Relações Exteriores, empresas exportadoras e entidades representativas do setor privado.

Durante a conferência de imprensa, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, frisou que a agência considera o novo tarifaço “uma medida absurda do ponto de vista comercial”, sublinhando que a prioridade passa por reduzir os seus impactos através da abertura de novos mercados e do reforço da presença internacional das empresas brasileiras.

“A ApexBrasil segue acompanhando o caso por meio dos seus escritórios nos Estados Unidos e apoiando o Brasil a transformar desafios em novas oportunidades”, declarou.

Segundo Laudemir Müller, apesar de o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos ascender a cerca de 38 mil milhões de dólares, apenas uma parte das exportações brasileiras será diretamente abrangida pelas novas tarifas.

“Estamos falando de um comércio de 38 mil milhões de dólares do Brasil para os Estados Unidos e, deste total, sete mil milhões e 200 milhões de dólares estão impactados agora com esse tarifaço”, explicou.

O responsável destacou ainda que o impacto será particularmente significativo em alguns estados brasileiros. Dos 7,2 mil milhões de dólares de exportações abrangidas pelas novas tarifas, três mil milhões correspondem ao estado de São Paulo, enquanto 68% das exportações de Santa Catarina para os Estados Unidos serão igualmente afetadas. Em conjunto, São Paulo e Santa Catarina representam 52% do impacto total provocado pelo novo pacote tarifário.

Perante este cenário, este responsável garantiu que a ApexBrasil manterá a estratégia de internacionalização que já vinha desenvolvendo, procurando reduzir a dependência do mercado norte-americano.

Entre as medidas em curso encontra-se um plano de incentivo de 130 milhões de reais, destinado a apoiar ações específicas de diversificação de mercados para as empresas exportadoras brasileiras. De acordo com a agência, esta estratégia já apresenta resultados concretos: 72% das cerca de 2.400 empresas exportadoras para os Estados Unidos apoiadas pela ApexBrasil conseguiram diversificar os seus mercados de destino.

Além disso, a agência continuará a trabalhar junto das autoridades brasileiras para ampliar a lista de produtos excluídos das novas tarifas e reforçar a presença internacional dos setores que permanecem isentos das novas cobranças.

Brasil enfrenta maior agravamento tarifário desde o regresso de Donald Trump

A reação da ApexBrasil surgiu na sequência da decisão da administração norte-americana de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre milhares de produtos brasileiros, uma medida que entrará em vigor no final deste mês de julho e que faz do Brasil o país que mais viu aumentar as tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca.

A resposta do Governo brasileiro foi imediata. Nota oficial divulgada pela Presidência da República brasileira repudiou a decisão da administração norte-americana, classificando-a como um momento particularmente negativo nas relações bilaterais entre os dois países.

“O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e Estados Unidos como um marco lastimável”, começa a nota, acrescentando que o Governo brasileiro “repudia a decisão anunciada pelo Governo dos Estados Unidos sobre a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros” e considera que se trata de uma medida unilateral “sem qualquer justificação”.

O executivo de Lula da Silva sublinhou também que, nos últimos 15 anos, os Estados Unidos acumularam um excedente comercial superior a 424 mil milhões de dólares nas trocas de bens e serviços com o Brasil, rejeitando, por isso, os fundamentos económicos invocados por Washington.

Na mesma nota, o Governo brasileiro anunciou que dará início aos procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Económica, aprovada pelo Congresso Nacional, para responder às medidas norte-americanas, não excluindo igualmente recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Brasília reiterou ainda que “o Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais do comércio” e classificou como “absurdas” algumas das acusações apresentadas pelos Estados Unidos, designadamente as relacionadas com a política ambiental brasileira.

“O mundo inteiro sabe que, a partir de 2023, combatemos de forma incisiva os ilícitos ambientais e reduzimos drasticamente o desmatamento em todos os biomas brasileiros”, concluiu a Presidência.

Segundo dados do Global Trade Alert (GTA), a tarifa efetiva média aplicada às exportações brasileiras passará de 1,19%, registada no final da administração Biden, para 14,42%, o maior aumento entre os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos.

Apesar da taxa nominal de 25%, uma extensa lista de exceções faz com que apenas cerca de um quarto das exportações brasileiras para o mercado norte-americano fique sujeito à tarifa máxima, correspondendo a aproximadamente 8,5 mil milhões de dólares em exportações.

Paralelamente, surgiram novas preocupações relativamente à possibilidade de Washington aplicar uma sobretaxa adicional de 12,5%, no âmbito de uma investigação relacionada com alegadas falhas no combate ao trabalho forçado.

Caso essa medida avance, alguns produtos brasileiros poderão enfrentar uma carga tarifária acumulada que poderá atingir 37,5%, agravando ainda mais as dificuldades para determinados setores exportadores.

Ígor Lopes

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