O director-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Qu Dongyu, defendeu esta segunda-feira, 24 de Agosto, um maior investimento na horticultura para transformar os sistemas agroalimentares e garantir o acesso a dietas mais saudáveis. Durante o 32.º Congresso Internacional de Horticultura, em Quioto, no Japão, o responsável sublinhou que o sucesso da agricultura já não deve ser medido apenas pela quantidade de alimentos produzidos, mas também pela capacidade de disponibilizar alimentos diversificados, nutritivos e acessíveis.
Segundo a FAO, entre 2010 e 2024, a produção mundial de frutas e hortícolas cresceu mais rapidamente do que a de cereais e o sector representa actualmente quase um quarto do valor da produção agrícola global, cerca de 1,4 biliões de dólares. As exportações de frutas e vegetais aumentaram, em média, 2,6% ao ano durante o mesmo período, atingindo 175 milhões de toneladas, avaliadas em cerca de 240 mil milhões de dólares, em 2024.
Apesar deste crescimento, Qu Dongyu alertou que a evolução da produção não se traduziu necessariamente numa melhoria das dietas. Em 2023, apenas cerca de metade dos países produzia frutas e vegetais em quantidade suficiente para atingir a recomendação conjunta da FAO e da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 400 gramas por pessoa por dia. Ao mesmo tempo, os preços no produtor aumentaram entre 2016 e 2025 em 89% dos países para as frutas e em 93% para os vegetais, dificultando o acesso dos consumidores a estes alimentos.
O director-geral da FAO identificou a produtividade, a disponibilidade e a acessibilidade como os principais desafios para aproveitar o potencial da horticultura. Defendeu investimentos em sementes melhoradas, solos, sistemas de irrigação eficientes, mecanização, tecnologias digitais, investigação, serviços de extensão rural e infra-estruturas pós-colheita. Sublinhou ainda que a inovação deve chegar aos agricultores, especialmente aos pequenos produtores, responsáveis por uma parte significativa da produção mundial de frutas e vegetais.
Qu Dongyu destacou igualmente o potencial da inteligência artificial, da edição genética e de outras tecnologias para melhorar a produção e reduzir perdas, defendendo a combinação entre inovação científica e conhecimento tradicional. A FAO prevê publicar em 2027 um relatório sobre o potencial das frutas e vegetais a nível mundial, analisando questões como produção, comércio, consumo, saúde, produtividade, sementes e mercados, num contexto marcado pelas alterações climáticas, pela escassez de recursos e pelo aumento da procura por alimentos nutritivos.