Supercentenários podem possuir sistema imunitário mais adaptado

As pessoas que vivem até aos 110 anos ou mais poderão possuir uma característica particular no seu sistema imunitário: uma abundância invulgar de células capazes de destruir células anormais. Um estudo publicado a 19 de Agosto na revista Cell Reports identificou níveis especialmente elevados de linfócitos T citotóxicos CD4 em supercentenários, sugerindo que estas células poderão estar associadas a um envelhecimento saudável e a uma maior capacidade de resposta do organismo a ameaças persistentes.

A investigação analisou amostras de sangue de 28 adultos, divididos em três grupos etários: entre os 70 e os 99 anos, entre os 100 e os 109 anos e pessoas com 110 ou mais anos. A proporção mediana destas células aumentou progressivamente com a idade, passando de 4% no grupo mais jovem para 9,6% entre os centenários e 17,6% entre os supercentenários.

Os investigadores verificaram também que muitas destas células se encontravam organizadas em grandes grupos de células quase idênticas, resultado de um processo conhecido como expansão clonal. Em média, o maior clone representava 33,3% de todos os linfócitos T citotóxicos CD4 de cada participante, tendo um dos casos analisados registado uma proporção de 53,8%, o que poderá indicar uma resposta prolongada do sistema imunitário a determinadas ameaças.

A comparação dos receptores destas células com sequências existentes em bases de dados revelou várias correspondências com células identificadas em pessoas diagnosticadas com cancro, nomeadamente do pulmão, da mama e do fígado. No entanto, os participantes centenários e supercentenários analisados não tinham sido diagnosticados com esses tipos de cancro, levando os cientistas a admitir que estas células possam reconhecer alvos anormais ou potencialmente relacionados com doenças oncológicas.

Os autores sublinham, contudo, que os resultados não demonstram que os elevados níveis destes linfócitos protejam directamente contra o cancro ou sejam, por si só, responsáveis pela longevidade. O próximo passo será estudar o comportamento destas células nos diferentes tecidos do organismo, numa tentativa de compreender melhor se a capacidade de adaptação do sistema imunitário poderá contribuir para explicar porque algumas pessoas conseguem atingir idades excepcionalmente avançadas.

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