O Banco Mundial defende que a próxima etapa da integração económica de África deve passar da simples melhoria das ligações comerciais para a criação de cadeias de produção e polos industriais regionais. A recomendação consta do novo relatório Integrating Africa: From Strands to Hubs, apresentado a 28 de agosto, em Adis Abeba, num encontro organizado pela Comissão da União Africana, pela Comissão Económica das Nações Unidas para África e pelo Grupo Banco Mundial.
O documento considera que os maiores ganhos poderão resultar de uma maior cooperação entre os mercados africanos, através da ligação da produção entre países, da redução dos obstáculos comerciais e regulamentares e de uma aplicação mais eficaz dos acordos regionais. Para isso, o Banco Mundial aponta a necessidade de tornar interoperáveis os sistemas alfandegários, de pagamentos, transportes, energia, normas técnicas e serviços digitais, permitindo às empresas obter matérias-primas, produzir, financiar-se e vender além-fronteiras com regras mais previsíveis.
Segundo o relatório, uma liberalização mais profunda dos setores dos transportes, telecomunicações, serviços financeiros e serviços profissionais poderá aumentar o comércio de serviços no espaço do Acordo de Comércio Livre Continental Africano (AfCFTA) entre 60% e 64% até 2035. Atualmente, o comércio intrarregional representa cerca de um quinto das exportações da África Subsaariana, enquanto as exportações para os mercados externos continuam fortemente concentradas em matérias-primas e outros produtos de base. Um maior comércio dentro do continente poderá, segundo o Banco Mundial, favorecer cadeias de valor mais diversificadas e com maior componente industrial.
O relatório salienta ainda que cerca de 60% dos custos estimados do comércio resultam de obstáculos unilaterais ou de problemas que surgem para além das fronteiras, incluindo atrasos alfandegários, logística deficiente, restrições ao transporte, normas fragmentadas e infraestruturas insuficientes. Entre as medidas que os governos podem adotar estão a criação de plataformas eletrónicas de comércio e alfândegas, inspeções baseadas no risco, mercados de transporte de mercadorias mais competitivos, regras de origem simplificadas e uma maior abertura dos serviços financeiros e profissionais.
O Banco Mundial organiza as suas recomendações em quatro prioridades: desenvolver cadeias de valor regionais, reduzir os obstáculos comerciais e regulamentares, aprofundar e aplicar efetivamente os acordos comerciais regionais e reforçar os bens públicos regionais, incluindo corredores de transporte, redes de energia, infraestruturas digitais e sistemas de pagamento.
O objetivo é transformar os compromissos de integração em resultados concretos, como fronteiras mais rápidas, custos logísticos mais baixos, maior investimento privado e mais empresas e trabalhadores integrados nas cadeias de produção africanas.