Mpox: Novo stock mundial de vacinas pretende acelerar resposta a surtos

Um novo stock mundial de vacinas contra a mpox deverá permitir que os países tenham acesso mais rápido às doses necessárias para controlar surtos e proteger as populações mais expostas à doença. A iniciativa, lançada a 27 de agosto de 2026, deverá começar a funcionar até ao final deste mês e é financiada pela Gavi, a Aliança das Vacinas, sendo coordenada pelo Grupo Internacional de Coordenação (ICG) para o fornecimento de vacinas.

O mecanismo reúne a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e os Médicos Sem Fronteiras. O objetivo é garantir um acesso rápido e equitativo às vacinas, independentemente da capacidade financeira dos países onde ocorram surtos. A diretora-geral da Gavi, Sania Nishtar, recordou que, durante a epidemia de mpox de 2022, os países de baixos rendimentos enfrentaram grandes dificuldades no acesso às vacinas.

A mpox continua a provocar surtos em várias regiões do mundo, com cerca de dois terços dos casos registados em África. Entre 1 de janeiro de 2022 e 31 de julho de 2026, 145 países e territórios comunicaram 190.683 casos confirmados e 529 mortes. A doença viral é transmitida sobretudo através de contacto físico próximo entre pessoas, embora a transmissão de animais para seres humanos continue a ocorrer em algumas regiões africanas, mantendo o risco de novos surtos.

A doença pode provocar quadros graves, sobretudo em crianças e pessoas com o sistema imunitário enfraquecido. A vacinação permite reduzir o risco de infeção e de doença grave e pode contribuir para limitar mais rapidamente a circulação do vírus. A diretora executiva do UNICEF, Catherine Russell, alertou ainda para os efeitos que a mpox pode provocar nas crianças para além dos problemas físicos, incluindo estigmatização, interrupções da escolaridade e consequências psicológicas associadas ao isolamento.

O novo stock baseia-se no mecanismo de acesso e distribuição criado em 2024, durante a anterior emergência de saúde pública de importância internacional relacionada com a mpox. Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a iniciativa representa um passo importante para uma resposta mais sustentável e equitativa aos surtos.

O stock será gerido através de um modelo já utilizado pelo ICG para outras vacinas de emergência, nomeadamente contra a cólera, meningite, febre-amarela e doença por vírus Ébola, permitindo mobilizar doses para as regiões onde são mais necessárias.

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