Um novo estudo indica que mesmo aumentos de curto prazo na poluição do ar podem afetar o sistema respiratório e perturbar o sono, incluindo em cidades onde os níveis de partículas finas estão dentro dos limites recomendados.
Os investigadores analisaram cerca de 100 mil utilizadores da aplicação Sleep Cycle, em 32 cidades de 12 países, durante 500 dias. Os resultados mostram que um aumento de 10 microgramas de partículas finas por metro cúbico esteve associado a mais 2,4% de episódios de tosse nos cinco dias seguintes.
O efeito foi ainda mais evidente durante episódios extremos de poluição. Em Los Angeles, durante a época de incêndios florestais de 2025, o mesmo aumento de partículas esteve associado a um crescimento de cerca de 10% da tosse noturna.
Os autores consideram que a tosse durante a noite pode afetar a qualidade do sono e, indiretamente, contribuir para outros problemas de saúde. O estudo teve em conta fatores como o estado do tempo e a circulação da gripe, mantendo-se a associação entre a poluição e os sintomas respiratórios.
Nas cidades europeias analisadas, os níveis médios de partículas finas variaram entre 5,47 e 14,70 μg/m³. Os investigadores alertam que a tosse, mesmo quando ocasional, pode indicar irritação ou inflamação das vias respiratórias.