Dez anos após as primeiras grandes manifestações contra as restrições ao aborto, milhares de mulheres voltam a mobilizar-se na Polónia para exigir mudanças na legislação. Os protestos assinalam também seis anos desde a decisão do Tribunal Constitucional que agravou as limitações à interrupção voluntária da gravidez, desencadeando manifestações de dimensão histórica no país.
As organizadoras acusam o governo de Donald Tusk de não cumprir as promessas eleitorais de garantir um aborto legal, seguro e acessível até às 12 semanas de gestação. Apesar de a câmara baixa do parlamento ter aprovado duas propostas relacionadas com a interrupção da gravidez e a despenalização da ajuda ao procedimento, os movimentos de mulheres consideram as medidas insuficientes.
As propostas seguem agora para o Senado e, posteriormente, para o Presidente. As ativistas defendem que é necessária uma reforma mais abrangente, que proteja tanto as mulheres como as pessoas que as ajudam a interromper uma gravidez. Criticam ainda a demora política e receiam que as alterações previstas não garantam o acesso efetivo aos cuidados de saúde.
Além da despenalização e da legalização do aborto até às 12 semanas, os manifestantes exigem maior acesso à contraceção de emergência e o fim dos protestos organizados junto de hospitais e clínicas. Estão previstas concentrações em 26 cidades polacas e em Londres, a maioria às 18h00.