As redes de contrabando de migrantes terão arrecadado entre 388 e 509 milhões de dólares em 2025 com o transporte de pessoas para a Europa através de rotas marítimas, segundo um estudo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), divulgado a 23 de Outubro. A análise abrange quatro grandes percursos: o Mediterrâneo Central, o Mediterrâneo Oriental, o Mediterrâneo Ocidental e a rota atlântica do Noroeste de África.
O relatório estima que entre 190 mil e 209 mil pessoas tenham sido vítimas de contrabando ao longo destas rotas durante o ano passado. O Mediterrâneo Central foi o principal corredor utilizado, com entre 84 mil e 100 mil pessoas a realizar a travessia. Nesta rota, estima-se que entre 72% e 86% das pessoas que partiram tenham sido alvo de redes de contrabando. Seguiram-se as rotas do Mediterrâneo Oriental, do Atlântico e do Mediterrâneo Ocidental.
As viagens nem sempre terminam com a chegada à Europa. Em 2025, cerca de 104 mil pessoas foram interceptadas no mar e devolvidas aos locais de origem. Outras 3.404 morreram ou foram dadas como desaparecidas durante as travessias marítimas. O UNODC salienta, contudo, que nem todas as pessoas que tentam entrar irregularmente na Europa recorrem a redes de contrabando, pelo que a dimensão deste crime varia entre as diferentes rotas.
Os montantes cobrados pelos traficantes dependem de factores como a nacionalidade dos migrantes, o país de partida e as condições da viagem. Segundo as estimativas, os valores podem começar nos 170 dólares por pessoa na rota atlântica do Noroeste de África e atingir os 7.500 dólares em determinadas travessias do Mediterrâneo Central, incluindo percursos entre a Turquia e Itália. Estas receitas constituem uma fonte de financiamento para as redes criminosas que organizam as deslocações.
O UNODC alerta que a dimensão financeira do contrabando de migrantes continua a receber atenção insuficiente nas estratégias de combate a este fenómeno. Através do Observatório sobre Contrabando de Migrantes, a agência recolhe dados sobre as rotas, os métodos utilizados pelas redes, os fluxos financeiros e os abusos cometidos contra as vítimas. A informação pretende apoiar a prevenção e a investigação criminal, bem como contribuir para a protecção dos direitos humanos das pessoas em movimento.