O Presidente da Guiné Equatorial, Obiang Nguema Mbasogo, participou, a 27 de outubro, na VIII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo do Fórum dos Países Exportadores de Gás, realizada em Moscovo, sob a presidência da Rússia. O encontro reuniu representantes de países produtores de gás num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas e pela reorganização dos mercados energéticos.
Durante a sessão plenária, presidida pelo Presidente russo, Vladimir Putin, Obiang defendeu a soberania energética dos países produtores e a necessidade de garantir preços justos, estáveis e previsíveis, sem a politização dos mercados ou a imposição de sanções unilaterais. O chefe de Estado equato-guineense destacou igualmente a importância de transformar localmente os recursos naturais, propondo a criação de um Fundo de Industrialização do Gás, com base tecnológica em Punta Europa, em Malabo, para promover a produção de fertilizantes, metanol e electricidade.
Na área da segurança energética, o Presidente da Guiné Equatorial propôs um pacto de segurança marítima conjunta para proteger infra-estruturas críticas contra a pirataria e a sabotagem no Golfo da Guiné. A iniciativa pretende reforçar a protecção das rotas marítimas utilizadas no transporte de petróleo e gás, consideradas estratégicas para o abastecimento dos mercados internacionais.
À margem da cimeira, Obiang Nguema Mbasogo deverá reunir-se bilateralmente com Vladimir Putin para abordar o aprofundamento das relações entre os dois países. Segundo a Presidência equato-guineense, os assuntos em discussão incluem possíveis investimentos russos no desenvolvimento da jazida de Alen, a cooperação em infra-estruturas energéticas, a protecção recíproca dos investimentos e a prevenção da dupla tributação. Estas iniciativas são apresentadas como oportunidades para ampliar a cooperação económica e tecnológica bilateral.
A visita antecede a III Cimeira Rússia-África, prevista para 28 e 29 de outubro, em Moscovo, que deverá reunir dirigentes africanos e russos para debater as relações políticas e económicas entre as duas partes. A Guiné Equatorial pretende aproveitar o encontro para defender uma maior participação dos países africanos nas decisões internacionais e reforçar a sua posição na cooperação energética e diplomática com a Rússia.