RDC inicia ensaio clínico de vacinas contra o Ébola após mais de 10 mil casos confirmados

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou o início de um ensaio clínico para avaliar duas vacinas experimentais contra o vírus Ébola de Bundibugyo, na República Democrática do Congo (RDC), onde a epidemia ultrapassou os 10 mil casos confirmados. O estudo, denominado «Tumaini», que significa «esperança» em suaíli, começou na sexta-feira, em Bunia, na província de Ituri, com a vacinação dos primeiros quatro participantes.

O ensaio é conduzido pelo Instituto Nacional de Investigação Biomédica da RDC e pretende avaliar a segurança, a eficácia e a capacidade das vacinas para desencadear uma resposta imunitária. A investigação utiliza a estratégia de vacinação em anel, que consiste em vacinar pessoas que tiveram contacto com casos confirmados e que apresentam maior risco de infecção. A OMS garante que o estudo respeitará os requisitos científicos e éticos, incluindo o consentimento informado e o envolvimento das comunidades locais.

As equipas de saúde estão a identificar contactos de pessoas infectadas e a organizar grupos de indivíduos potencialmente expostos ao vírus. Segundo a OMS, a iniciativa tem suscitado interesse entre a população, com membros das comunidades a procurarem voluntariamente os locais do estudo para solicitar a participação. Os primeiros resultados poderão demorar vários meses, devendo ajudar as autoridades a determinar se os candidatos a vacina podem contribuir para controlar a epidemia e prevenir futuros surtos.

Paralelamente, grupos consultivos técnicos da OMS analisaram dados de outras duas vacinas experimentais contra o vírus de Bundibugyo: a ChAdOx1, desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com o Serum Institute of India, e a mRNA-1469, da Moderna. A vacinação em anel já tinha sido utilizada durante a epidemia de Ébola na África Ocidental, há cerca de uma década, contribuindo para demonstrar a eficácia da vacina Ervebo contra a espécie Zaire. Contudo, essa eficácia não está estabelecida contra a variante de Bundibugyo, responsável pelo surto actual.

De acordo com os dados das autoridades sanitárias congolesas referentes a 25 de outubro, a epidemia provocou 10.060 casos confirmados e 4.887 mortes, correspondendo a uma taxa de letalidade de 48,6%. Foram também registadas 2.684 recuperações. A província de Ituri continua a ser o principal foco da doença, com 7.211 casos e 3.370 mortes, enquanto o Kivu do Norte contabiliza 2.309 casos e 1.293 óbitos. Desde Maio, o surto atingiu 66 zonas de saúde em oito províncias, reforçando a urgência de desenvolver vacinas específicas contra esta variante do vírus.

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