Argentina aposta em centros de dados de inteligência artificial na Patagónia com benefícios fiscais

O Governo argentino, liderado por Javier Milei, pretende transformar a Patagónia num polo tecnológico dedicado à inteligência artificial, através da instalação de grandes centros de dados. A estratégia passa por atrair investimento estrangeiro com incentivos fiscais e uma política de regulamentação reduzida para o setor.

Entre as medidas propostas está a redução do imposto sobre os lucros das empresas de 25% para 15%, destinada a projetos tecnológicos superiores a mil milhões de dólares (cerca de 892 milhões de euros). A proposta aguarda aprovação do Senado. A região destaca-se pela disponibilidade de terrenos, temperaturas baixas e recursos energéticos favoráveis ao funcionamento destas infraestruturas.

Um dos principais projetos pertence à empresa polaca Green Capital, que prevê investir três mil milhões de dólares (aproximadamente 2,7 mil milhões de euros) na construção de um centro de dados na Patagónia. O empreendimento, cuja construção não deverá começar antes de 2028, pretende utilizar energia eólica, solar e gás natural para alimentar os equipamentos.

Apesar das perspetivas de investimento, a iniciativa está a gerar preocupações ambientais e económicas. Residentes e especialistas alertam para o elevado consumo de eletricidade e água, a criação limitada de empregos permanentes e a ausência de regras claras sobre a utilização de dados. O Governo defende a estratégia como uma oportunidade de desenvolvimento, enquanto os críticos exigem maior transparência e garantias de proteção ambiental.

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