O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) considera necessário reforçar o financiamento ao desenvolvimento de Moçambique e aumentar a participação do sector privado na economia, face às limitações orçamentais, às pressões da dívida e aos desafios económicos e climáticos que o país enfrenta. A recomendação consta do Relatório sobre o País de 2026, intitulado Mobilizar o Financiamento do Desenvolvimento de Moçambique em Grande Escala num Mundo Fragmentado, apresentado em Maputo a 16 de Outubro.
O documento estima que Moçambique necessita de aproximadamente 11 mil milhões de dólares por ano para cumprir os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável e os compromissos da Agenda 2063. Só o sector das infra-estruturas exige cerca de 6,4 mil milhões de dólares anuais, com um défice de financiamento estimado em 6,2 mil milhões. Para responder a estas necessidades, o BAD defende uma maior mobilização de receitas internas, uma utilização mais eficiente dos recursos públicos e a criação de condições para atrair investimento privado de longo prazo.
O relatório identifica três prioridades para o país: reforçar a estabilidade macroeconómica e a sustentabilidade das finanças públicas; mobilizar capital em grande escala para promover um crescimento acelerado e resiliente; e desenvolver a arquitectura financeira nacional para apoiar o investimento produtivo. Entre as medidas propostas estão a digitalização da administração fiscal, o reforço do cumprimento das obrigações tributárias, a melhoria da gestão do investimento público, o alargamento da inclusão financeira e o aperfeiçoamento dos mecanismos de parcerias público-privadas.
O BAD destaca igualmente o potencial dos corredores de Maputo, Beira e Nacala e das cadeias de abastecimento regionais para atrair investimento. Recomenda ainda o recurso a instrumentos como garantias, financiamento concessional, financiamento misto e estruturas de investimento conjunto, que podem reduzir os riscos para os investidores privados. O desenvolvimento das finanças digitais, do capital de risco, do investimento da diáspora e de outras formas alternativas de financiamento é também apontado como uma oportunidade para ampliar os recursos disponíveis.
O Governo moçambicano acolheu favoravelmente o relatório e reiterou o compromisso com a estabilidade macroeconómica, a gestão sustentável da dívida e a transparência na utilização dos recursos públicos. O secretário de Estado do Orçamento e do Tesouro, Amílcar Tivane, considerou o documento uma base importante para o diálogo sobre o financiamento do desenvolvimento sustentável e inclusivo. Por sua vez, o representante residente do BAD em Moçambique, Rômulo Cunha Corrêa, afirmou que os recursos públicos, por si só, não serão suficientes para responder às necessidades do país, defendendo uma maior mobilização de capital privado para gerar crescimento, emprego e melhores condições de vida.