“Dia da Comunidade Luso-Brasileira: uma relação que precisa de mais estratégia”

Artigo de Opinião por Otacílio Soares da Silva Filho, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira

O Dia da Comunidade Luso-Brasileira, assinalado a 22 de abril, é mais do que uma data simbólica. É uma oportunidade para olhar com seriedade para uma relação que tem história, identidade e afetos, mas que precisa, cada vez mais, de ambição económica e visão estratégica.

O que Portugal e Brasil têm é raro: uma língua que partilham, a capacidade das pessoas se movimentarem de forma rápida e eficaz, uma malha empresarial densa e a possibilidade de sentirem confiança em superar barreiras comunicacionais, internacionalizar e construir parcerias duradouras, essa comunidade tornou-se também um importante fator económico.

E, por isso, a “comunidade luso-brasileira” não é apenas uma realidade social; é também um fator económico. Portugal tanto pode ser uma plataforma qualificada para empresas brasileiras terem acesso ao Mercado Europeu, e o Brasil, evidentemente, é escala, dinamismo e oportunidade para as empresas portuguesas. Esta é a nossa sinergia. A complementaridade existe e já produz resultados em setores como turismo, serviços, tecnologia, imobiliário, agroalimentar e energia.

Ainda há um fosso profundo entre o potencial e os resultados. Durante algum tempo, bastou celebrar a relação especial entre Brasil e Portugal. Agora, não chega. Promover a nossa relação é um desafio. É preciso transformar afinidade em estratégia, proximidade em negócios, e memória comum em projetos concretos de futuro.

Isso exige menos burocracia e mais coordenação. Exige maior articulação entre empresas, instituições, câmaras de comércio e entidades públicas. Exige, sobretudo, uma agenda luso-brasileira orientada para resultados, capaz de atrair investimento, gerar emprego e criar valor dos dois lados do Atlântico.

O fato de tanto poder ser feito exige uma agenda luso-brasileira: desenvolver negócios, gerar emprego e criar valor. Comemore este dia. Mas o melhor tributo que podemos prestar à nossa comunidade luso-brasileira é ajudá-la a construir uma relação que honre o passado, mas que esteja verdadeiramente preparada para o futuro.

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