A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) inaugurou esta quarta-feira, em Roma, a primeira Conferência Global sobre Agricultura Inteligente, um encontro de três dias que reúne ministros, investigadores, agricultores, representantes do setor privado e parceiros de desenvolvimento para acelerar a adoção de tecnologias e sistemas agrícolas baseados em dados.
Sob o lema “Aproveitar os dados e a tecnologia para sistemas agroalimentares sustentáveis”, a conferência pretende impulsionar soluções inovadoras que reforcem a produtividade, a resiliência climática e a sustentabilidade da agricultura, com especial atenção aos pequenos produtores.
Na sessão de abertura, o Diretor-Geral da FAO, Qu Dongyu, defendeu que a agricultura inteligente deixou de ser uma opção para se tornar uma necessidade perante desafios como as alterações climáticas, a degradação dos solos, a escassez de água, o aumento dos custos de produção e a falta de mão de obra. Segundo o responsável, a combinação de tecnologias digitais, ciência e dados permite utilizar de forma mais eficiente recursos como água, fertilizantes, pesticidas e energia, aumentando simultaneamente a produtividade e a rentabilidade das explorações agrícolas.
A conferência destaca exemplos concretos de inovação já implementados em vários países. No Uzbequistão, por exemplo, tecnologias de baixo custo aplicadas em estufas permitiram triplicar a produção de hortícolas utilizando menos água. A FAO tem vindo igualmente a desenvolver projetos de agricultura inteligente no Vietname, Honduras e Zâmbia, integrando ferramentas digitais, sistemas de monitorização, agricultura de precisão e plataformas de apoio à decisão para os agricultores.
Ao longo dos próximos dias, os participantes irão debater estratégias para tornar estas tecnologias mais acessíveis, inclusivas e adaptadas às necessidades locais, promovendo o investimento, a formação de jovens e mulheres, o empreendedorismo rural e a cooperação entre governos, investigadores e setor privado. As conclusões da conferência deverão traduzir-se em recomendações para acelerar a expansão da agricultura inteligente e fortalecer a segurança alimentar e a sustentabilidade dos sistemas agroalimentares em todo o mundo.