Imagem: Obras da IMEPH conheceram a Feira do Livro de Lisboa. Fotos: Agência Incomparáveis
Os festivais literários têm assumido um papel relevante na preservação, difusão e renovação da literatura em língua portuguesa, sobretudo num contexto internacional marcado pela circulação digital e física de conteúdos e pela necessidade de valorização das identidades culturais. As celebrações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, assinalado no último dia 5 de maio e reconhecido pela UNESCO, reforçam esse movimento ao aproximarem escritores, editores, leitores, investigadores e agentes culturais em torno da defesa da língua como património comum entre diferentes povos e geografias.
No Brasil, festivais nacionais realizados em várias regiões do país têm contribuído para ampliar o acesso ao livro e estimular novas gerações de leitores. Eventos literários no Nordeste brasileiro ganharam projeção pela capacidade de unir literatura, oralidade, música, memória popular e formação educacional. Paralelamente, encontros internacionais realizados em Portugal, França, Itália, Suíça e Espanha têm aberto espaço para autores brasileiros e para manifestações culturais ligadas à lusofonia, fortalecendo pontes entre comunidades de língua portuguesa.
A circulação da cultura nordestina nesses espaços internacionais tem sido apontada como uma das formas de valorização do território e da identidade brasileira no exterior. A presença de cordelistas, escritores, músicos, ilustradores e editores nordestinos em feiras e festivais permite apresentar ao público internacional narrativas ligadas às raízes populares, às tradições orais e à diversidade cultural do Brasil. Esse movimento também contribui para ampliar o reconhecimento da produção intelectual oriunda do Nordeste brasileiro em mercados editoriais internacionais.
Uma das editoras brasileiras protagonistas nesse movimento universal do livro e da cultura é a IMEPH Editora, sediada no Ceará. O grupo integra esse cenário através da participação em iniciativas literárias e educativas voltadas para a promoção da leitura e da cultura nordestina. Um desses exemplos foi passagem das obras dessa editora pela Feira do Livro de Lisboa 2026.
A diretora-presidente da editora, Lucinda Marques, tem defendido a importância da presença internacional da literatura produzida no Nordeste como “instrumento de afirmação cultural e linguística”. Recentemente, a sua editora esteve presente na Feira do Livro Infantil de Bolonha, em Itália, considerada uma das principais plataformas editoriais mundiais dedicadas à literatura infantojuvenil. Ao longo dos últimos anos, Lucinda também marcou presença em festivais e encontros literários em diferentes países, reforçando a circulação internacional de autores e obras ligados à cultura nordestina.
“Levar a literatura nordestina para o mundo é também levar a nossa identidade, os nossos territórios, os nossos sotaques e a força da língua portuguesa como espaço de encontro”, afirmou Lucinda Marques durante ações ligadas à promoção editorial lusófona, acompanhadas pela nossa reportagem.
Num momento em que a língua portuguesa ultrapassa os 260 milhões de falantes em diferentes continentes, os festivais literários consolidam-se como espaços de diplomacia cultural, circulação de conhecimento e aproximação entre comunidades.
“Entre livros, debates, poesia e memória, esses encontros ajudam a manter viva a literatura em português e a projetar para o mundo diferentes expressões culturais da lusofonia. O que pretendemos é educar pela leitura”, finalizou Lucinda Marques.
Ígor Lopes