Um estudo conjunto de investigadores da Universidade de Sevilha, em Espanha, e da Universidade Estadual de São Paulo, no Brasil, revelou que o pico de floração da comunidade local de plantas do Parque Nacional de Doñana, situado no extremo sudoeste de Espanha, está a chegar 22 dias mais cedo do que nas últimas décadas.
A investigação foi publicada na Annals of Biology, uma revista semestral internacional dedicada à Biologia, e destaca que o alecrim (Salvia rosmarinus) é uma das espécies mais afetadas, com a sua floração a ocorrer agora 92 dias mais cedo do que há algumas décadas.
Os autores do estudo acreditam que a antecipação do ciclo de vida das plantas é um reflexo direto do aumento das temperaturas médias na região e que as alterações climáticas estão a ter um impacto significativo no ecossistema do Parque Nacional de Doñana, levando inclusivamente a mudanças nos ritmos biológicos das plantas
A importância deste fenómeno vai além das fronteiras do parque e pode afetar as aves migratórias que utilizam Doñana como área de reprodução, procura de alimento e zona de passagem durante o inverno.
A mudança verificada nos ritmos naturais pode levar ainda ao aumento da competição entre as espécies polinizadas por insetos, afetando negativamente a biodiversidade do ecossistema.
Os especialistas concordam que é essencial continuar a monitorizar de perto estas alterações e adotar medidas de conservação para proteger a diversidade biológica daquele Parque Nacional e garantir o seu papel crucial como refúgio para a vida selvagem.