Um estudo do Instituto NewClimate, uma organização alemã sem fins lucrativos, destacado pela Euronews, revela cinco grandes mudanças que ocorreram desde o Acordo de Paris e que demonstram que o combate às alterações climáticas pode ser travado com sucesso.
1. A eletrificação dos edifícios e dos transportes está a progredir rapidamente. Dos automóveis elétricos às bombas de calor, a eletrificação tornou-se um elemento central da estratégia mundial de descarbonização. O motor automóvel a combustão está a ser progressivamente eliminado em vários países e regiões. Por outro lado, registam-se melhorias na capacidade de armazenamento das baterias, no aumento dos pontos de carregamento de veículos elétricos e da acessibilidade dos preços deste tipo de veículos. A difusão, incentivo financeiro e aumento da procura de bombas de calor estão também a ajudar a descarbonizar os edifícios.
A inovação e o investimento procuram auxiliar a descarbonizar o transporte marítimo e a indústria pesada. O aço com hidrogénio, os navios elétricos e os combustíveis com baixo teor de carbono estão entre os maiores desenvolvimentos.
2. As energias renováveis são atualmente mais baratas do que os combustíveis fósseis, graças à rápida mudança para modelos flexíveis e descentralizados que incluem energia eólica, solar e hidroelétrica. O custo da energia solar e da energia eólica terrestre e marítima baixou entre 60 e 90% nos últimos 10 anos, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. Por cada dólar (0,91 euros) investido em combustíveis fósseis, 1,70 dólares (1,55 euros) são atualmente gastos em energias limpas. Há cinco anos, este rácio era de 1:1, de acordo com a Agência Internacional da Energia.
3. Os investidores e as empresas sentem-se pressionados a agir em matéria de clima. O reconhecimento da ameaça climática, a pressão das populações e dos governos e a procura de investimentos sustentáveis permitiu inovações ecológicas e provocou mudanças nos modelos de negócio tradicionais.
4. A maioria dos países está a apontar para “zero emissões líquidas” e as previsões de aumento da temperatura são mais baixas. Em 2015, apenas o Butão tinha estabelecido esse objetivo. Atualmente, mais de 90 países, representando quase 80% das emissões globais, aderiram aquela meta. A curva de emissões projetada achatou-se. Em 2015, as projeções apontavam para um aumento da temperatura de 3,6 a 3,9ºC até 2100. Hoje, essa projeção desceu para 2,7ºC.
5. O discurso (e a pressão sobre os governos e empresas) sobre as alterações climáticas tornou-se dominante em todo o mundo. A crescente cobertura mediática das questões climáticas, juntamente com a sua inclusão na educação, permitiu dotar os cidadãos de conhecimentos sobre as suas causas e impactos.
Há uma década, apenas uma parte da sociedade estava significativamente consciente e preocupada com as alterações climáticas. Em 2014, um inquérito da BBC realizado em 17 países mostrou que 40% dos inquiridos consideravam as alterações climáticas um problema sério. Em 2020, este número subiu para 60 por cento. O inquérito mais alargado “Peoples Climate Vote”, realizado em 2021 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e pela Universidade de Oxford em 50 países, revelou, na Europa Oriental e na Ásia Central, que 85% dos inquiridos consideraram as alterações climáticas uma emergência global. 72% dos europeus ocidentais e os norte-americanos concordaram, juntamente com 64% das pessoas nos países árabes, 63% na América Latina, Caraíbas e Ásia-Pacífico e 61% na África Subsariana.