Os países participantes na 17.ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Diversidade Biológica (COP17), realizada na Arménia, aprovaram uma nova folha de roteiro para acelerar a protecção da natureza nos próximos quatro anos. O acordo, denominado «Roteiro de Erevã», pretende reforçar a implementação das metas mundiais de biodiversidade até 2030, numa altura em que uma avaliação global indica que os progressos continuam aquém do necessário.
O documento estabelece prioridades para os quatro anos que restam para cumprir as 23 metas do Quadro Mundial para a Biodiversidade de Kunming-Montreal, que visa travar e inverter a perda de biodiversidade. Entre as medidas previstas estão a eliminação ou reforma dos subsídios prejudiciais à natureza, o reforço do financiamento e da assistência científica e técnica aos países em desenvolvimento, bem como o alinhamento dos orçamentos nacionais com os objectivos de conservação.
Durante a conferência, os países adoptaram cerca de 50 decisões sobre áreas protegidas, florestas, gestão da fauna selvagem, espécies exóticas invasoras e biodiversidade marinha e costeira, entre outros temas. Foi também aprovada a criação de um mecanismo permanente para reforçar a participação dos povos indígenas e das comunidades locais na definição das políticas internacionais de biodiversidade, através das chamadas Directrizes de Sevã.
A reunião ficou ainda marcada pelo anúncio de cerca de dois mil milhões de dólares em novos financiamentos para a biodiversidade. Entre os compromissos estão 560 milhões de dólares associados à mais recente reposição de recursos do Fundo Mundial para o Ambiente, 500 milhões destinados à Aliança para a Recuperação de Espécies e 330 milhões para o fundo Value Nature, orientado para mobilizar investimento privado na conservação da natureza. Foram igualmente anunciadas iniciativas financeiras e novos indicadores para acompanhar os progressos e reforçar a prestação de contas.
A directora executiva do Programa das Nações Unidas para o Ambiente, Inger Andersen, destacou os resultados da conferência como um sinal de cooperação multilateral, mas os responsáveis alertaram que o sucesso dependerá da aplicação efectiva das decisões. A próxima conferência sobre biodiversidade, a COP18, terá lugar no Equador, quando faltarão apenas dois anos para o prazo de 2030, aumentando a pressão sobre os governos para transformarem os compromissos internacionais em medidas concretas de protecção dos ecossistemas.