O programa europeu de observação da Terra Copernicus, avançou, esta semana, que as temperaturas do ar e dos oceanos, do mês de março, atingirem um valor histórico. Os 14,14º Celsius de temperatura média ultrapassam o anterior recorde de 2016 em um décimo de grau. Este é o décimo mês consecutivo mais quente de que há registo.
O terceiro mês do ano foi ainda 1,68ºC mais quente do que no final do século XIX, a base utilizada para as temperaturas antes da queima de combustíveis fósseis ter começado a crescer rapidamente.
Os consecutivos recordes de temperatura são explicados pela forte influência do fenómeno El Niño, condição climática que aquece a zona central do Pacífico e altera os padrões climáticos globais, e as alterações climáticas provocadas pelo homem, com as emissões de dióxido de carbono e metano produzidas pela queima de carvão, petróleo e gás natural.
Ao abrigo do Acordo de Paris, de 2015, o mundo estabeleceu o objetivo de manter o aquecimento a um nível igual ou inferior a 1,5ºC desde os tempos pré-industriais. No entanto, o planeta Terra já registou 12 meses com temperaturas médias mensais 1,58ºC acima do valor de Paris, de acordo com os dados do Copernicus.
Saliente-se que os dados de temperatura do Copernicus são mensais e utilizam um sistema de medição ligeiramente diferente do limiar de Paris, cuja média é calculada ao longo de duas ou três décadas. Ainda assim, o programa europeu de observação da Terra alerta que os valores históricos registados de calor no ar e nos oceanos aumentam a necessidade de uma rápida redução das emissões de gases com efeito de estufa.