O comissário europeu para Gestão de Crises, Janez Lenarčič, disse, esta semana, que “as alterações climáticas são um fator agravante e multiplicador de crise, que se junta à fragilidade dos países e das comunidades e agrava a situação humanitária.”
Citado pela Agência Lusa, Janez Lenarčič considera que as alterações climáticas vão “ser, cada vez mais, uma causa de crise humanitária” em África, nomeadamente em territórios com conflitos, como a província moçambicana de Cabo Delgado.
“As maiores crises em África são bem conhecidas: o Sudão, o Sahel, a República Democrática do Congo no leste do país, Moçambique no norte, especialmente na região de Cabo Delgado, a Somália ou o Corno de África. A maioria destas crises devem-se a conflitos, mas alguns dos conflitos são também alimentados pelas alterações climáticas”, afirmou o comissário europeu.
No caso específico de Moçambique, Lenarčič afirma que o país tem sido afetado por repetidos ciclones tropicais, algo que não acontecia com tanta frequência no passado e que aponta claramente para uma possível ligação com as alterações climáticas, por isso acreditamos que as alterações climáticas vão aumentar e ser cada vez mais uma causa de crise humanitária”, declarou Janez Lenarčič, em resposta a uma questão da Lusa.
O comissário tem um olhar atento sobre o caso de Cabo Delgado, para o qual reclama que é preciso paz. “Precisamos de paz em Cabo Delgado”, acrescentou o responsável, apontando que, apesar de a União Europeia avançar com ajuda humanitária para alimentos, água e cuidados de saúde, só a estabilidade permitirá atenuar os efeitos climáticos.
“África continua a ser o continente com a maior parte das crises humanitárias com que lidamos”, reconheceu ainda Janez Lenarčič.