O relatório sobre o Estado do Clima na Europa, divulgado pelo Serviço de Mudanças Climáticas do Copernicus e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), revela que, nos últimos 20 anos, as mortes relacionadas ao calor na região aumentaram cerca de 30%. O estudo aborda igualmente os impactos das mudanças climáticas em eventos extremos, saúde pública e energia renovável na Europa.
Em 2023, os impactos das mudanças climáticas continuaram a ser observados, em toda a região, com milhões de pessoas afetadas por eventos climáticos extremos, tornando o desenvolvimento de medidas de mitigação e adaptação uma prioridade.
O relatório sobre o Estado do Clima na Europa destaca que as temperaturas na Europa, em 2023, ficaram acima da média em 11 meses do ano. O ano passado registou um número recorde de dias com “stress por calor extremo”, sendo a tendência de aumento deste tipo de fenómenos. A temperatura média da superfície do mar também foi a mais elevada desde que há registos. O nível de precipitação também foi superior à média, tendo sido registados níveis recordes em alguns caudais dos rios. No Ártico, por exemplo, os cinco anos mais quentes ocorreram desde 2016, tendo sido observado que a extensão do gelo do mar Ártico permaneceu abaixo da média durante a maior parte de 2023.
O documento indica que existe a consciencialização geral dos crescentes impactos adversos que os eventos climáticos e meteorológicos extremos provocam à saúde, apesar de ainda existir uma perceção de baixo risco do calor para o público, grupos vulneráveis e alguns profissionais de saúde.
Para a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, “a crise climática é o maior desafio da nossa geração. O custo da ação climática pode parecer alto, mas o custo da inação é muito maior. Como mostra este relatório, precisamos aproveitar a ciência para oferecer soluções para o bem da sociedade.”