Pessoas agem mais contra crise climática do que os governos

Uma equipa internacional de pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos EUA, e da Universidade de Munique Ludwig-Maximilians, na Alemanha, analisou 1472 estudos e verificou que os indivíduos ou famílias estão no topo da lista dos que mais promovem ações para mitigar os problemas do clima.

O estudo foi publicado na revista Nature Climate Change e referiu que, apesar dos governos planearem ou financiarem um conjunto de mudanças no sentido de melhorar o meio ambiente, são os indivíduos que têm tomado mais medidas para se adaptarem aos efeitos das mudanças climáticas.

A pesquisa baseia-se nas descobertas da Global Adaption Mapping Initiative (GAMI), uma iniciativa que mapeia as evidências globais de adaptação às mudanças do clima através de uma avaliação sistemática da literatura científica.

Liderada por Jan Petzold, da Universidade de Munique Ludwig-Maximilians, a equipa categorizou os autores das ações em: indivíduos ou famílias, sociedade civil, governo, instituições governamentais internacionais ou multinacionais e setores privados. Foi verificado que, no geral, indivíduos ou famílias estavam no topo da lista, seguidos pelos governos.

Nas áreas rurais, a divisão entre ações de indivíduos e do governo é maior. Mas os pesquisadores destacam que, mesmo nas áreas urbanas ou com mais recursos, os governos estão mais focados no planeamento do que na execução das adaptações.

Enquanto os agentes governamentais são menos proeminentes, os indivíduos concretizam medidas mais superficiais e menos relacionadas com as mudanças institucionais. Elphin Tom Joe, coautor do artigo sublinha que “as pessoas estão concentradas principalmente em mudar o que podem controlar: os seus próprios comportamentos” mas alerta para a necessidade dos atores institucionais realizarem ações coordenadas para uma adaptação de impacto mais ampla.

Do conjunto de adaptações individuais incluem-se, por exemplo, o plantio de culturas mais resistentes a climas extremos, migração para áreas menos afetadas por inundações e mudanças comportamentais e alteração do horário de trabalho de acordo com as horas mais frescas do dia.

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