Uma crise hídrica sem precedentes está a afetar o sul da Península Ibérica, obrigando o governo de Espanha a declarar estado de emergência na Catalunha e governo de Portugal a limitar o consumo de água e a aumentar os preços. Em algumas áreas da Catalunha não chove há três anos e as reservas de água no nordeste espanhol caíram para 16%. O consumo humano, a agricultura e até o turismo estão a ser afetados pela escassez de água.
O governo da Catalunha anunciou formalmente, esta semana, o estado de emergência, decretando, para os próximos 15 meses, a redução de 20% na irrigação agrícola, a proibição de irrigação em parques públicos, o encerramento de piscinas públicas e privadas (exceto aquelas que utilizam água do mar), a desativação de chuveiros de praia e fontes ornamentais, e a limitação da lavagem de carros ao uso comercial. No total, cerca de 6 milhões de pessoas estão a ser afetadas pela situação de emergência hídrica, que limita, numa primeira fase, o consumo diário por habitante a 200 litros. Além das medidas relativas ao consumo humano, a agricultura restringirá em 80% o uso de água para irrigação, a pecuária, 50%, e a indústria, 25%.
Ao nível financeiro, o governo regional prepara um plano de 2,6 mil milhões de euros para os próximos anos para explorar outros recursos hídricos, como a dessalinização, águas subterrâneas e recicladas.
A região da Andaluzia, onde há barragens abaixo dos 15% da capacidade, também está a sofrer uma seca hídrica histórica e o governo regional já aprovou um plano de mais de 200 milhões de euros para executar novas medidas de ajuda aos agricultores, redução do desperdício e melhoria da gestão de água. O consumo humano vai ser limitado, afetando cerca de meio milhão de pessoas.
As regiões portuguesas do Alentejo e do Algarve também estão a viver a pior seca de sempre e o governo já decretou cortes no consumo de água. O Algarve, cujas barragens estão com os volumes de água a 25%, vai sofrer cortes de 70% no abastecimento de água para agricultura e de 15% para consumo humano. Populações, turismo e agricultura vão ter de pagar mais e consumir menos para combater a escassez de água na região, estando previstos aumentos de 15 a 50% no preço deste bem essencial.