Investigadores da Universidade de Coimbra identificaram, pela primeira vez em território nacional, estirpes da bactéria Xylella fastidiosa com potencial para afetar gravemente culturas agrícolas como a vinha e o amendoal. A descoberta ocorreu na região da Cova da Beira e revela a presença da subespécie fastidiosa ST1 — associada a doenças devastadoras em vinhas da Califórnia.
Considerada uma praga de quarentena prioritária pela Comissão Europeia, a Xylella fastidiosa já se encontra em quase duas dezenas de áreas demarcadas em Portugal, maioritariamente nas regiões Norte e Centro. A estirpe agora isolada levanta preocupações sérias para o futuro da agricultura nacional, dado o seu impacto económico potencial, que na União Europeia ultrapassa os 5,5 mil milhões de euros anuais.
Segundo os investigadores, a origem genética da bactéria está ligada à Califórnia e os dados sugerem uma única introdução em Portugal, embora subsista um hiato temporal de até duas décadas por esclarecer. A investigação destaca também o papel da vegetação espontânea como possível reservatório da bactéria, o que reforça a urgência de medidas de vigilância e contenção.
O estudo foi desenvolvido no FITOLAB, laboratório oficial para deteção de Xylella fastidiosa, no âmbito do doutoramento de Eva Garcia. Os investigadores sublinham que este avanço científico é decisivo para apoiar o setor agrícola com estratégias de contenção mais eficazes e baseadas em dados genéticos concretos.