A ideia de que a longevidade humana depende sobretudo do ambiente e do estilo de vida pode estar a ser revista. Um novo estudo do Instituto Weizmann de Ciência sugere que os fatores genéticos podem ser responsáveis por cerca de metade das diferenças na duração da vida entre indivíduos.
A investigação, publicada na revista Science, analisou grandes bases de dados de gémeos provenientes da Suécia e da Dinamarca, incluindo casos de gémeos criados separadamente. Esta abordagem permitiu distinguir de forma mais precisa o impacto da genética face ao ambiente e às condições de vida.
Os investigadores concluíram que estudos anteriores terão subestimado o papel dos genes devido à chamada “mortalidade extrínseca”, ou seja, mortes causadas por acidentes, infeções ou fatores ambientais. Ao excluir estes fatores, o sinal genético associado à longevidade tornou-se significativamente mais evidente.
Segundo os autores, a hereditariedade da expectativa de vida poderá ser cerca de 50%, o que representa mais do dobro de algumas estimativas anteriores. Os resultados mostram também que certas doenças associadas ao envelhecimento, como demências, podem ter forte componente genética, reforçando a influência do ADN em processos biológicos complexos.
Os cientistas destacam que estes resultados podem mudar a forma como se estuda o envelhecimento, incentivando a identificação de genes associados à longevidade e abrindo novas possibilidades para futuras terapias. Ainda assim, sublinham que fatores ambientais continuam a desempenhar um papel importante na saúde e na duração da vida.