As mortes por cancro associadas à obesidade triplicaram nos Estados Unidos nos últimos 20 anos, segundo dados apresentados na conferência ENDO 2025 da Sociedade Endócrina. O fenómeno está a afetar de forma desproporcional mulheres, idosos e comunidades negras, nativas e rurais, expondo desigualdades no acesso aos cuidados de saúde e falhas nas estratégias públicas de prevenção.
O estudo, que analisou mais de 33 mil mortes por cancros relacionados com a obesidade entre 1999 e 2020, identificou aumentos significativos nas taxas de mortalidade, que subiram de 3,73 para 13,52 por milhão de habitantes. Segundo o investigador principal, Faizan Ahmed, os resultados sublinham a urgência de medidas de saúde pública mais eficazes, incluindo rastreios precoces e maior acesso a tratamentos oncológicos nas regiões mais vulneráveis.
A obesidade está ligada a 13 tipos diferentes de cancro, incluindo os da mama, em mulheres pós-menopáusicas, cólon, fígado, pâncreas e rim. Estes tumores representam cerca de 40% de todos os diagnósticos de cancro nos EUA, de acordo com os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC). A prevalência de obesidade entre os adultos norte-americanos ultrapassa os 40%, sendo influenciada por fatores genéticos, hormonais e socioambientais.
Geograficamente, o Centro-Oeste registou as maiores taxas de mortalidade por cancro relacionado com a obesidade, enquanto o Nordeste apresentou os valores mais baixos. A nível estadual, Vermont, Minnesota e Oklahoma lideram as estatísticas, ao passo que Utah, Alabama e Virgínia registam as taxas mais reduzidas. Para os especialistas, o combate à obesidade já não é apenas uma questão de saúde metabólica, mas também uma prioridade urgente na luta contra o cancro.