Um novo estudo europeu indica que um simples exame de sangue feito a partir de uma picada no dedo, potencialmente recolhido em casa, pode vir a ser uma ferramenta eficaz para a deteção precoce da doença de Alzheimer.
A investigação, liderada pela Banner Health e pela Universidade de Exeter, analisou 337 participantes em cinco países europeus. Foram recolhidas gotas de sangue da ponta do dedo, secas num cartão especial, e comparadas com análises sanguíneas tradicionais e testes ao líquido cefalorraquidiano.
Os resultados, publicados na revista Nature Medicine, mostram que o teste identifica alterações associadas ao Alzheimer com 86% de precisão, usando três biomarcadores-chave:
- p-tau217, principal marcador da doença
- GFAP, associado à inflamação cerebral
- NfL, indicador de danos nas células nervosas
Segundo os investigadores, os valores obtidos com a picada no dedo foram muito semelhantes aos métodos convencionais, que são mais invasivos, caros e limitados a centros especializados.
Embora o teste ainda não esteja disponível para uso clínico, os cientistas acreditam que poderá facilitar rastreios em larga escala, alcançar populações sub-representadas e acelerar a investigação. Num contexto em que cerca de 7 milhões de europeus vivem com Alzheimer e os casos podem duplicar até 2030, este método representa um avanço importante rumo a diagnósticos mais acessíveis e precoces.