O aquecimento dos oceanos está a impulsionar uma nova geração de furacões e tufões, mais fortes do que a atual classificação máxima de Categoria 5, segundo um estudo apresentado na Reunião Anual da União Geofísica Americana (AGU) em dezembro de 2025. Pesquisadores alertam que estas tempestades extremas estão a ocorrer com maior frequência, sobretudo em regiões críticas do Atlântico Norte e do Pacífico Ocidental, e defendem a criação de uma Categoria 6 para melhorar o planeamento e a consciencialização pública.
O estudo, liderado pelo professor II Lin, da Universidade Nacional de Taiwan, indica que os pontos quentes nos oceanos estão a intensificar as tempestades, uma vez que o calor profundo impede o arrefecimento natural das tempestades à medida que estas se formam e se fortalecem. Apenas nas últimas décadas, mais da metade das tempestades suficientemente intensas para ultrapassar a Categoria 5 ocorreram na última década, refletindo o impacto do aquecimento global.
Exemplos recentes de tempestades que se enquadrariam numa hipotética Categoria 6 incluem o tufão Haiyan (2013), o tufão Hagibis (2019) e o furacão Patricia (2015), este último com ventos que chegaram a 185 nós, o que ultrapassa em muito os limites da Categoria 5. A investigação mostra ainda que estas tempestades tendem a concentrar-se em zonas oceânicas específicas, como a leste das Filipinas e próximo do Caribe, mas estas áreas de atividade estão a expandir-se com o aumento do aquecimento das águas profundas.
Os cientistas destacam que o reconhecimento de uma Categoria 6 poderia melhorar a preparação e a resposta a desastres, especialmente em regiões densamente povoadas. Embora o calor oceânico profundo seja crucial, outras condições atmosféricas também devem estar alinhadas para a formação destes ciclones. A análise sugere que as mudanças climáticas antropogénicas são responsáveis por cerca de 60 a 70% da expansão destes pontos críticos, tornando cada vez mais urgente a adaptação e mitigação frente a eventos meteorológicos extremos.