Investigadores da Universidade de Sydney descobriram que morcegos jovens são hospedeiros frequentes de múltiplos coronavírus ao mesmo tempo, tornando-se potenciais “incubadoras” naturais para novas variantes virais. O estudo, publicado a 17 de julho na Nature Communications, analisou mais de 2.500 amostras fecais recolhidas ao longo de três anos em colónias de morcegos no leste da Austrália.
Apesar de os vírus identificados não representarem risco direto para os humanos, os cientistas destacam a elevada taxa de coinfecção entre morcegos juvenis como um fator-chave para a recombinação viral — um processo que pode levar à emergência de novas estirpes, algumas das quais, no futuro, poderão infetar outras espécies, incluindo o ser humano.
Os coronavírus encontrados pertencem à subclasse dos nobecovírus, considerada inofensiva para as pessoas. No entanto, compreender o comportamento destes vírus entre morcegos oferece modelos valiosos para prever a evolução de coronavírus mais perigosos, como os sarbecovírus, associados a epidemias como SARS e COVID-19.
Este trabalho reforça a importância da vigilância ecológica e genómica em habitats naturais, sobretudo à medida que a pressão ambiental aproxima a vida selvagem dos seres humanos. Segundo os cientistas, investir no rastreio seguro de vírus em espécies selvagens pode ser essencial para antecipar futuras ameaças sanitárias globais.