Portugal: Frio intenso agrava sintomas da fibromialgia, alerta especialista

O inverno frio e húmido que se faz sentir no Interior de Portugal nesta altura do ano agrava as dores e a rigidez muscular de quem vive com fibromialgia, um síndrome de dor crónica que afeta entre 1,7% e 3,6% da população portuguesa.

Estudos clínicos e especialistas apontam que as baixas temperaturas e a humidade elevada exigem cuidados adaptados à estação e ao ambiente local. Na Covilhã, o Prof. Dr. José Luis Arranz Gil, presidente-fundador da Academia Portuguesa de Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica, defende uma abordagem “humanizada e ajustada ao ambiente local” para quem enfrenta dor contínua.

Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde desde 1992, a fibromialgia provoca dor persistente, fadiga, distúrbios do sono e perda de concentração, além de afetar o humor e o bem-estar. A doença altera a forma como o cérebro interpreta os estímulos, sensações comuns podem transformar-se em dor intensa e duradoura.

Segundo este especialista, o clima e o ambiente “influenciam fortemente” o agravamento dos sintomas. “O frio e a humidade intensificam a rigidez muscular e o desconforto físico, afetando diretamente o bem-estar psicológico dos pacientes. Na região Centro de Portugal, onde os invernos são longos e húmidos, é essencial ajustar o acompanhamento clínico e assegurar uma resposta integrada”, afirmou.

O Prof. Dr. José Luis Arranz Gil, que lidera a Unidade de Fibromialgia e Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica na Covilhã, lembra que as condições climáticas podem aumentar o número de crises e limitar a autonomia dos pacientes.

“É uma condição invisível que, mesmo assim, compromete a autonomia de quem convive com ela”, disse, além de afirmar que a doença “traduz-se em sofrimento físico e psicológico contínuo, muitas vezes agravado pela falta de compreensão e apoio”.

Os efeitos da fibromialgia vão além da dor. A condição afeta a rotina, o trabalho e as relações pessoais, especialmente entre mulheres em idade ativa. O cansaço constante, o absenteísmo e as dificuldades de concentração ampliam a vulnerabilidade socioeconómica.

“É fundamental que as entidades patronais, a Segurança Social portuguesa e o sistema de saúde do país olhem para a necessidade de políticas que garantam flexibilidade no trabalho, adaptação de funções e apoio adequado”, ressaltou o Prof. Dr. José Luis Arranz Gil.

Recentemente, na Universidade da Beira Interior (UBI), foi criado, em parceria com a Academia Portuguesa de Fibromialgia, o primeiro curso de formação e atualização sobre a doença. Segundo o especialista, o programa busca aproximar o conhecimento científico da prática clínica para melhorar o cuidado com quem vive com dor crónica. O programa acolheu médicos, estudantes e doentes que sofrem de fibromialgia, com o intuito de revelar os desafios da doença e mostrar como podemos conviver com os seus efeito.

“Reconhecer a fibromialgia é também reconhecer o direito à dignidade”, finalizou o Prof. Dr. José Luis Arranz Gil.

Ígor Lopes

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