Tarcísio Costa, assessor da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais. Foto: divulgação/acervo pessoal
O assessor da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais, Tarcísio Costa, recebeu, no dia 9 de agosto, a comenda “Mérito Cívico”, atribuída, por intermédio do senescal estadual Muryllo Alvarenga, pela Sereníssima Ordem de Cavalaria Militar Padre Anchieta em reconhecimento pelo trabalho desenvolvido por Tarcísio Costa nas áreas da “cultura, do turismo, da preservação do património e da valorização da identidade histórica de Minas Gerais”.
A cerimónia decorreu no Clube dos Oficiais da Polícia Militar e dos Bombeiros, em Belo Horizonte, e reuniu autoridades, membros da Ordem, representantes de instituições civis e militares e personalidades reconhecidas pelos serviços prestados à sociedade mineira.
A distinção foi entregue durante a encenação da Batalha de Ourique, episódio de relevância para a história portuguesa tradicionalmente associado à afirmação de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, e ao processo de formação do Reino de Portugal.
Em declarações à Agência Incomparáveis, Tarcísio Costa relacionou a distinção com o trabalho que tem desenvolvido na aproximação entre Minas Gerais e Portugal, explicando que a ligação da Ordem ao universo português contribuiu para a atenção dirigida ao seu percurso.
“A Sereníssima Ordem da Cavalaria do Padre Anchieta tem uma ligação muito forte com os Templários em Tomar, em Portugal. E, por causa da minha atuação na Câmara como assessor de Comunicação da Presidência, a entidade se interessou pelo meu trabalho e decidiu dar-me essa distinção de mérito cívico”, explicou.
Apesar de reconhecer que prefere “manter uma posição discreta”, Tarcísio Costa admitiu ter recebido a homenagem com “satisfação”, sobretudo por considerar que a “distinção está relacionada com uma atividade que faz parte do seu percurso e das suas convicções”.
“Fiquei extremamente lisonjeado porque é estranho, mas estranho no bom sentido, receber uma homenagem por fazer aquilo que eu gosto, que é promover as relações culturais, históricas, socioeconómicas entre Minas Gerais e Portugal”, vincou.
Nesse percurso, este responsável destacou a identificação com os objetivos da instituição, centrados no reforço das relações entre Minas Gerais, o Brasil e Portugal.
“Eu visto a camisola, como se diz em português de Portugal, da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil em Minas Gerais, que tem como objetivo estreitar cada vez mais os laços que unem Minas Gerais e não só, o Brasil, e Portugal”, defendeu.
A aproximação entre os dois países, segundo Tarcísio Costa, deve também passar pela “valorização dos elementos que aproximam as respetivas sociedades, numa altura em que os debates públicos e as redes sociais são frequentemente marcados por discursos de confronto”.
“Quando você entra na internet há muita retórica odiosa, negativa, de parte a parte. Há xenofobia, há racismo, preconceito contra os brasileiros em Portugal, há brasileiros que dizem, ‘devolvam o ouro’, enfim, todo esse discurso negativo, que não leva a absolutamente nada”, lamentou. Perante esse cenário, defendeu uma abordagem centrada na cooperação e na construção de relações com resultados concretos para as comunidades dos dois lados do Atlântico.
“Eu acho que nós temos que focar no que é positivo entre os dois países. Se nós nos unirmos ou se nós nos uníssemos mais, Brasil e Portugal, as coisas seriam muito melhor em vários níveis, para os dois países, para as populações”, enfatizou.
“Esse discurso odioso sempre vai existir, sempre vão existir as pessoas negativas, com espírito destruidor, mas eu quero construir pontes e elos que nos ligam, não só elos afetivos, mas elos efetivos, coisas que realmente tragam benefícios para Minas e para Portugal”, apontou.
Entre os exemplos desse trabalho, Tarcísio Costa destaca o “Jantar dos Sete”, iniciativa criada no âmbito da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais e associada às celebrações do Dia da Independência do Brasil, a 7 de setembro, que reunirá “sete pratos, sete chefes, sete vinhos, às sete horas da noite” no Palácio D’Ouro, em Ouro Preto, no estado de Minas Gerais. A iniciativa integra ainda uma componente de responsabilidade social, uma vez que os bens destinados ao leilão são doados à Câmara e as receitas revertem para uma instituição de apoio social. Este ano, segundo Tarcísio Costa, o valor arrecadado será destinado à Sociedade de São Vicente de Paulo, organização que desenvolve ações de apoio a crianças, idosos e jovens em situação de vulnerabilidade social.
Ao relacionar esta iniciativa com a sua visão sobre as relações entre Portugal e Brasil, Tarcísio Costa reforçou a importância de “transformar encontros culturais, económicos e institucionais em ações com impacto direto na sociedade”.
No balanço da homenagem, Tarcísio voltou a destacar o caráter especial da distinção e a satisfação por ver reconhecido um trabalho que considera parte da sua missão enquanto assessor da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais.
“É o meu testemunho, senti-me, claro, muito lisonjeado e muito honrado ao receber esta medalha de mérito cívico”, finalizou Tarcísio Costa.
Ígor Lopes