A obra do escritor Lima Barreto (1881 – 1922) é agora Património Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro, no Brasil. A Lei 10.498/24, do deputado estadual Andrezinho Ceciliano, foi sancionada no último dia 12 de setembro.
Autor de clássicos como “Recordações do Escrivão Isaías Caminha” (romance, 1909), “Triste Fim de Policarpo Quaresma” (romance, 1915), “Numa e a Ninfa” (romance, 1915), “Clara dos Anjos” (romance, 1922/1923/1948), “Os Bruzundangas” (crónicas, 1923), Bagatelas (crónicas, 1956), entre outros, Lima Barreto é um dos escritores brasileiros mais estudados e admirados da língua portuguesa. Parte do interesse da sua obra é devido ao seu estilo considerado “simples” e “coloquial”, contrário ao padrão estabelecido na época pelo movimento realista-naturalista.
Partes de muitos dos seus textos, tirados dos livros citados anteriormente, estão nos manuais de ensino para alunos do Ensino Médio no Brasil e continuam sendo estudados por historiadores e críticos literários. Nascido no Rio de Janeiro, cidade presente na sua obra, revela muito a sociedade da época, primeira década do século XX, período da primeira república.
Lima Barreto, negro e de família pobre, foi também jornalista e escreveu para o Correio da Manhã e, após ser banido do jornal, foi trabalhar noutros veículos. Morreu aos 41 anos de ataque cardíaco.
“Além de oferecer para o leitor uma história curiosa e interessante, a obra de Lima Barreto faz uma severa crítica social das constantes transformações políticas, sociais e culturais ocorridas no Rio de Janeiro e no Brasil dos primeiros anos do século XX. Barreto critica a desigualdade social e o abandono do governo que, apesar de cobrar altos impostos, se omitia diante da pobreza onde uma enorme parte do povo estava imerso”, definiu o autor da lei, que disse que o trabalho de Lima Barreto é “uma severa crítica social das constantes transformações políticas, sociais e culturais ocorridas no Rio de Janeiro e no Brasil dos primeiros anos do século XX”.
Para o deputado, o escritor criticava “a desigualdade social e o abandono do governo que, apesar de cobrar altos impostos, se omitia diante da pobreza onde uma enorme parte do povo estava imerso”.
Ígor Lopes