África Ocidental e Central enfrenta risco de catástrofe alimentar com 55 milhões de pessoas ameaçadas pela fome

África Ocidental e Central enfrenta uma crise alimentar de grandes proporções, com cerca de 55 milhões de pessoas em risco de cair numa situação de fome extrema, alertaram as Nações Unidas. A combinação de conflitos, redução histórica do financiamento humanitário, surtos de Ébola e a actual época de escassez alimentar está a agravar uma situação já considerada crítica na região.

Segundo as agências da ONU, incluindo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), cerca de 3,1 milhões de pessoas já se encontram em situação de emergência alimentar, enquanto milhões de famílias enfrentam o esgotamento das reservas de alimentos antes da chegada das próximas colheitas. As organizações humanitárias alertam que o risco deixou de ser apenas um aumento das necessidades e passou a envolver um possível colapso simultâneo dos agregados familiares, mercados, sistemas de saúde e capacidade de resposta.

A instabilidade provocada pelo conflito no Médio Oriente está também a ter impactos económicos na região africana, através do aumento dos custos da energia, dos transportes marítimos e das cadeias de abastecimento. Em alguns países da África Ocidental, os preços dos combustíveis aumentaram até 85%, enquanto o custo da ureia, um fertilizante essencial para a agricultura, subiu quase 86% em poucas semanas, ameaçando a campanha agrícola de 2026-2027 e podendo reduzir a produção alimentar.

A crise humanitária é agravada pelo reaparecimento do vírus Ébola na República Democrática do Congo e no Uganda, que poderá afectar o comércio, os movimentos pastorais e os rendimentos das famílias. As agências da ONU alertam que uma expansão prolongada da epidemia poderá aumentar os custos da ajuda humanitária e dificultar ainda mais o acesso das populações vulneráveis aos serviços essenciais.

Outro factor de preocupação é a falta de financiamento internacional. No Sahel, apenas entre 21% e 23% das necessidades financeiras humanitárias foram cobertas, enquanto cerca de 11,3 milhões de crianças com menos de cinco anos em cinco países poderão sofrer de desnutrição aguda.

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