Investigadores da Universidade do Havai em Mānoa, nos Estados Unidos, descobriram que determinadas bactérias intestinais estão associadas à velocidade do envelhecimento biológico. O estudo, publicado a 27 de outubro de 2026 na revista Scientific Reports, concluiu que as diferenças nas comunidades bacterianas do intestino explicam cerca de 15% da variação nas taxas de envelhecimento observadas nos participantes.
A investigação analisou amostras de fezes e sangue de 123 adultos de diferentes idades, comparando a composição da microbiota intestinal com marcadores moleculares utilizados para estimar o ritmo do envelhecimento. Entre estes indicadores encontra-se o DunedinPACE, que avalia a velocidade a que ocorrem alterações biológicas associadas ao envelhecimento, distinguindo-a da idade cronológica.
Os resultados identificaram associações entre determinadas espécies bacterianas e diferentes ritmos de envelhecimento. A Bifidobacterium adolescentis esteve entre as bactérias mais fortemente associadas a um envelhecimento biológico mais lento, enquanto a Succinivibrio dextrinosolvens apresentou uma das ligações mais fortes a um envelhecimento acelerado. Os investigadores salientam, contudo, que estas associações não demonstram que os microrganismos sejam diretamente responsáveis por acelerar ou atrasar o processo.
Segundo a equipa, a microbiota intestinal é particularmente interessante para a investigação porque pode variar em função da alimentação, do estilo de vida e das condições ambientais. O estudo incluiu também participantes nativos do Havai e de outras ilhas do Pacífico, populações historicamente pouco representadas neste tipo de investigação, permitindo explorar a relação entre fatores sociais, experiências de vida e saúde a longo prazo.
Apesar dos resultados promissores, os cientistas consideram prematuro afirmar que alterar as bactérias intestinais permite retardar o envelhecimento. Serão necessários estudos adicionais para esclarecer os mecanismos envolvidos e determinar se a modificação da microbiota pode efetivamente influenciar o envelhecimento biológico. A investigação poderá, ainda assim, contribuir para futuras estratégias de saúde personalizada e para uma melhor compreensão dos fatores associados a um envelhecimento saudável.