Cabo Verde: PAICV destaca ganhos na saúde materno-infantil, mas alerta para fragilidades no SNS

No Dia Mundial da Saúde, assinalado sob o lema da OMS “Inícios Saudáveis, Futuros Esperançosos”, o PAICV destacou os avanços alcançados por Cabo Verde na saúde materno-infantil, mas alertou para as fragilidades que ameaçam comprometer esses ganhos.

Durante uma conferência de imprensa, a deputada e membro da Comissão Política do PAICV, Ana Paula Moeda, começou por manifestar solidariedade às vítimas do recente acidente em Chã de Tanque, Santa Catarina. “Queremos deixar uma palavra de conforto às famílias enlutadas e desejar rápida recuperação aos feridos, em especial aos jovens estudantes e condutores”, afirmou.

A dirigente destacou que os avanços registados na saúde materno-infantil são motivo de orgulho nacional, recordando o percurso iniciado com a criação do Programa Materno Infantil e Planeamento Familiar (PMI/PF), logo após a Independência, em 1977.

“Cabo Verde reduziu significativamente a mortalidade materna e infantil, aumentou a cobertura de consultas pré-natais e de vacinação, promoveu o aleitamento materno exclusivo e combateu doenças diarreicas”, salientou Ana Paula Moeda, frisando que esses resultados são reconhecidos internacionalmente.

Contudo, a deputada alertou que o país enfrenta hoje “sinais preocupantes de retrocesso” na área da saúde materno-infantil, apontando falhas no acesso a consultas, falta de meios de diagnóstico adequados e o aumento de óbitos maternos e infantis em condições pouco esclarecidas.

“Será que temos profissionais especializados em número suficiente para garantir um acompanhamento de qualidade? Estão a ser criadas condições para que médicos e enfermeiros se especializem nas áreas mais sensíveis como ginecologia, obstetrícia e neonatologia?”, questionou a parlamentar.

Ana Paula Moeda também denunciou a falta de equipamentos adequados nos hospitais, como berços, incubadoras, aspiradores e outros materiais indispensáveis à assistência neonatal. “Os profissionais de saúde merecem melhores condições de trabalho e mais incentivos. São eles que, mesmo enfrentando enormes dificuldades, continuam a garantir a prestação de cuidados de saúde à população”, sublinhou.

O PAICV reafirma que é urgente reforçar o Sistema Nacional de Saúde (SNS), garantindo serviços de qualidade e acesso universal, independentemente das condições socioeconómicas dos cidadãos.

“O futuro da saúde em Cabo Verde exige mais investimento, mais respeito pelos profissionais e mais políticas públicas que respondam às necessidades das mulheres, mães e crianças”, concluiu.

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