Investigadores da Universidade da Pensilvânia identificaram um circuito no cérebro capaz de suprimir a dor crônica quando necessidades de sobrevivência, como fome ou medo, se tornam prioritárias. Neurônios com receptores Y1 no núcleo parabraquial lateral agem como um “painel de controle neural”, modulando sinais de dor de forma a equilibrar o sofrimento com outras exigências biológicas.
A descoberta, publicada na Nature, explica por que algumas pessoas continuam a sentir dor mesmo após a recuperação de lesões. Estudos em modelos animais mostraram que esses neurônios permanecem ativos durante a dor prolongada, mas podem ser silenciados por sinais de sobrevivência, liberando o neuropeptídeo Y, que reduz a percepção do desconforto.
Os cientistas afirmam que o achado abre caminho para tratamentos mais eficazes e personalizados da dor crônica, focados no cérebro em vez de apenas nos nervos periféricos. Além disso, práticas comportamentais como meditação, exercícios e mudanças no estilo de vida podem influenciar a ativação desses circuitos, ampliando as possibilidades de alívio.
“É como se o cérebro tivesse um interruptor embutido para priorizar a sobrevivência sobre a dor”, explica Nitsan Goldstein, coautor do estudo. A pesquisa oferece esperança para milhões que convivem diariamente com dores persistentes, apontando para uma abordagem que combina ciência, comportamento e terapias inovadoras.