Um estudo internacional liderado pela Escola de Medicina Keck da Universidade do Sul da Califórnia (USC) identificou nove novos genes associados à hiperémese gravídica, a forma mais grave de náuseas e vómitos durante a gravidez, reforçando o conhecimento sobre as causas biológicas da doença. Publicada na revista científica Nature Genetics, a investigação analisou dados genéticos de mais de 10.900 mulheres com a doença e de cerca de 461 mil pessoas sem a condição, tornando-se o maior estudo genético realizado até à data sobre esta patologia.
A hiperémese gravídica afeta cerca de 2% das grávidas e caracteriza-se por náuseas e vómitos intensos que podem provocar desidratação, desnutrição e colocar em risco a saúde da mãe e do bebé. Durante muitos anos, a doença foi frequentemente subvalorizada ou atribuída a causas psicológicas, mas as novas evidências confirmam uma forte componente genética. Os investigadores elevaram para dez o número total de genes de risco conhecidos, sendo seis deles identificados pela primeira vez.
O gene GDF15 continua a surgir como o principal fator genético associado à doença. Este gene produz uma hormona cujos níveis aumentam significativamente durante a gravidez e cuja ação parece influenciar a intensidade dos enjoos. O estudo identificou ainda genes relacionados com o apetite, o metabolismo, a regulação da insulina, a função cerebral e a adaptação do organismo à gravidez, entre eles o TCF7L2, já conhecido pela sua ligação ao risco de diabetes tipo 2 e diabetes gestacional.
Os investigadores acreditam que estas descobertas poderão abrir caminho ao desenvolvimento de tratamentos mais eficazes e personalizados. A equipa já obteve autorização para iniciar um ensaio clínico com metformina, um medicamento utilizado no tratamento da diabetes, para avaliar se a sua administração antes da gravidez pode reduzir a sensibilidade ao GDF15 e prevenir ou atenuar a hiperémese gravídica em mulheres com maior predisposição genética. Segundo os cientistas, a identificação destes novos genes representa um passo importante para compreender melhor a doença e melhorar os cuidados prestados às grávidas afetadas.